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terça-feira, 10 de maio de 2011

Alma

«Da mesma maneira se demonstra que não existe na Alma nenhuma faculdade absoluta de entender, de desejar, de amar, etc. De onde se segue que essas faculdades e outras semelhantes ou são puras ficções ou então não são senão entes metafísicos, isto é, universais, que costumamos formar a partir dos singulares; de tal maneira que a inteligência e a vontade estão para esta ou aquela ideia, ou para esta ou aquela volição na mesma relação que a pedreidade («lapideitas») está para esta ou aquela pedra, ou como homem está para Pedro para Paulo. Expliquei, por outro lado, no Apêndice da Parte I, a causa por que os homens julgam ser livres. Mas, antes de prosseguir, convém notar aqui que, por vontade, entendo, repito, a faculdade pela qual a Alma afirma ou nega, o que é verdadeiro e o que é falso, e não o desejo pelo qual a Alma apetece as coisas ou as tem em aversão. Ora, depois de ter já demonstrado que essas faculdades são noções universais, que se não distinguem das coisas singulares das quais as formamos, é necessário investigar agora se as próprias volições são algo mais que as ideias que temos das próprias coisas. É necessário investigar, repito, se existe, na Alma, outra afirmação ou outra negação além daquela que envolve a ideia, enquanto ela é uma ideia. Sobre esse assunto, veja-se a proposição seguinte, assim como a definição 3 desta parte, para que o pensamento não degenere em pinturas. Com efeito, por ideias não entendo imagens, como as que se produzem no fundo dos olhos ou, se se quiser, no meio do cérebro, mas concepções do Pensamento.»

Bento Espinosa, Ética

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