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segunda-feira, 19 de junho de 2023

DUE (Raf) live in concert..

O Tempo é o melhor conselheiro

 E quanto engano, artimanha e embuste não existem no reino do Belo! E por que razão? Porque o reino do Belo é, ao mesmo tempo, o reino do amor e do desejo, porque a carne e os sentidos se imiscuem e determinam a ideia de beleza.

 (Thomas Mann, in «José e os seus irmãos, o jovem José»)

There was a boy

 There was a boy; ye knew him well, ye cliffs
And islands of Winander! - many a time,
At evening, when the earliest stars began
To move along the edges of the hills,
Rising or setting, would he stand alone,
Beneath the trees, or by the glimmering lake,
And there, with fingers interwoven, both hands
Pressed closely palm to palm and to his mouth
Uplifted, he, as through an instrument,
Blew mimic hootings to the silent owls,
That they might answer him. - And they would shout
Across the watery vale, and shout again,
Responsive to his call, - with quivering peals,
And long halloos, and screams, and echoes loud
Redoubled and redoubled; concourse wild
Of jocund din! And, when there came a pause
Of silence such as baffled his best skill:
Then, sometimes, in that silence, while he hung
Listening, a gentle shock of mild surprise
Has carried farinto his heart the voice
Of mountain-torrents; or the visible scene
Would enter unawares into his mind
With all its solemn imagery, its rocks,
Its woods, and that uncertain heaven received
Into the bosom of the steady lake.
    This boy was taken from his mates, and died
in chidhood, ere he was full twelve years old.
Pre-eminent in beauty is the vale
Where he was born and bred: the churchyard hangs
Upona slope above the village-school;
And, through that church-yard when my way has led
On summer-evenings, I believe, that there
A long half-hour together I have stood
Mute - looking at the grave in which he lies!


William Wordsworth

Crepúsculo

  «A modernidade deve atribuir-se a quem rejeita a ideia de um esvaziamento total do futuro no passado e opta pela inesgotabilidade do futuro, ainda que essa escolha exclua a possibilidade de um Deus omnisciente, de um Deus que, «no final dos tempos», se inclina para trás, numa retrospetiva abrangente da criação.

O «mundo» - e que, durante muito tempo, «mundo» foi uma palavra injuriosa cristã sabia-o Nietzsche melhor do que ninguém - opunha-se ao convite a esvaziar o futuro no ser-passado total porque renegava a primazia ontológica do passado. Opunha-se porque, em luta consigo mesmo, graças a um esforço autodidata de coerência admirável, aprendeu a conceder ao tempo o que lhe era devido.»

Peter Sloterdijk, Depois de Deus

13

  Como posso eu amar-te, se nem sei
como à porta te chamam os vizinhos,
nem visitei a rua onde nasceste,
nem a tua memória confessei.
Que vaga rima me permite agora
desenhar-te de rosto e corpo inteiro
se só na tua pele é verdadeiro
o lume que na língua se demora...
Não deixes que te enganem os recados
na infernal gazeta publicados
que te dão já por escultura minha;
nocturno frankenstein, em vão soprei
trompas de criação, e foste tu
quem me criou a mim quando quiseste.


António Franco Alexandre, Duende

If I DIDN'T HAVE YOUR LOVE

  If the sun would lose its light

And we lived an endless night
And there was nothing left
That you could feel
That's how it would be
What the world would seem to me
If I didn't have your love
To make it real

If the stars were all unpinned
And a cold and bitter wind
Swallowed up the world
Without a trace
Well that's where I would be
What my life would seem to me
If I couldn't lift the veil
And see your face

If no leaves were on the tree
And no water in the sea
And the break of day
Had nothing to reveal
That's how broken I would be
What my life would seem to me
If I didn't have your love
To make it real

If the sun would lose its light
And we lived an endless night
And there was nothing left
That you could feel
If the sea were sand alone
And the flowers made of stone
And no one that you hurt
Could ever heal
That's how broken I would be
What my life would seem to me
If I didn't have your love
To make it real

Leonard Cohen, The Flame

Silêncio

 Quando cresci, cresci na rua, ao ar livre, sempre disponível para o destino escolhido pelo vento que me guiava. Cresci livre. Havia na luminosidade de um horizonte a descobrir o encantamento da luz do sol reflectida nas águas da minha praia, do mar que, agora adulto, revejo com renovada impressão de novidade. De uma novidade nascida do facto de nada se repetir no fluxo interminável das ondas. Cresci num tempo em que era possível a espera. O tempo era uma instância controlável de acordo com a nossa dimensão imediata. Ou parecia ser. Tudo estava à distância e a tudo era possível chegar um dia, ao longo da incomensurabilidade da vida que tinha pela frente. 

A vida decorria de acordo com uma mediação temporal que lhe dava o equilíbrio que, em muitos momentos parecia faltar. Havia um tempo para inspirar e um tempo para expirar, um tempo para semear e um tempo para colher. Assim sucedendo, desde cedo compreendi que o tempo é o melhor conselheiro que de nada nos serve esbracejar quando não vemos os nossos desejos satisfeitos. Do mesmo modo, fui constatando que, nos momentos em que não encontramos respostas justas aos problemas que se nos deparam, ou quando ainda não tivemos a disponibilidade para pensar, o melhor é escolher a via do silêncio. Esse silêncio momentâneo, que nos permite a distância, através da qual seremos capazes de aspirar a um entendimento razoável dos acontecimentos.
Nem sempre acontece assim: sermos capazes de alcançar uma compreensão das coisas que nos acontecem. No entanto, melhor do que corrermos o risco de nos deixarmos enredar nas teias do ridículo, é o silêncio, por meio do qual ao menos poderemos aspirar a uma espécie particular de moderação.

Filosofia

  «Se a filosofia é um esforço de conhecimento da vida, deverá corresponder aos seus desafios, deverá cuidar da vida,  não a deixando correr perigos e, por conseguinte, vai à sua frente, iluminando os caminhos que consegue abrir, mantendo-a desperta para si própria. E, no entanto, a vida é sempre primeira e última, a vida adianta-se-nos sempre, na medida em que se surpreende nela um segredo por revelar, um enigma que desafia à decifração, e então ela pede que a sigamos e torna-se objecto de veneração. A paixão pelo obstáculo encontra assim o seu verdadeiro alimento.»

Maria Filomena Molder, Três Conferências, Primeira, Lança o teu pão sobre as águas (sobre Qohélet/ Ecclesiastes)

Tempo

 «Para todas as coisas "há" um tempo;

E "há" um tempo para todo o assunto debaixo do céu.
Tempo de dar à luz e tempo de morrer;
Tempo de plantar e tempo de arrancar o que foi plantado;
Tempo de matar e tempo de curar;
Tempo de deitar abaixo e tempo de construir;
Tempo de chorar e tempo de rir;
Tempo de estar de luto e tempo de dançar;
Tempo de atirar pedras e tempo de juntar pedras;
Tempo de abraçar e tempo de estar longe de um abraço;
Tempo de procurar e tempo de perder;
Tempo de guardar e tempo de deitar fora;
Tempo de rasgar e tempo de coser;
Tempo de calar e tempo de falar;
Tempo de amar e tempo de odiar;
Tempo de guerra e tempo de paz.»

Bíblia, Volume IV (trad. de Frederico Lourenço)