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Aluno e Professor. Sempre aluno.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

The Editors "An End Has A Start"

Influência

«Tem de se carregar o fardo da influência se se quiser alcançar uma originalidade digna de nota, e fazê-la surgir dentro da riqueza da tradição literária ocidental. A tradição não é só uma passagem de testemunho ou um amistoso processo de transmissão. Ela é também uma disputa entre o génio passado e a aspiração presente, em que o prémio é a sobrevivência literária ou a inclusão canónica. Essa disputa não pode ser resolvida através  de preocupações sociais, ou pelo juízo crítico de qualquer geração de idealistas impacientes, ou por marxistas proclamando «Deixem os mortos enterrar os mortos», ou por sofistas que procuram substituir o Cânone pela biblioteca e o espírito de discernimento pelo arquivo. Poemas, histórias, romances e peças, todos surgem como resposta a poemas, histórias, romances e peças anteriores, e essa resposta está dependente de actos de leitura e de interpretação levados a cabo pelos escritores posteriores, actos esses que são idênticos às novas obras.

Harold Bloom, O Cânone Ocidental

M83 'Midnight City' Official video

Anexo

«Fosse Portugal uma Grécia, que Oliveira Martins seria um Tucídides e Fernão Lopes um Heródoto. E porque não há-de ser Portugal uma Grécia, embora bastante arcaica, ou a da caverna dos leões... desses leões que descobriram e conquistaram as terras desconhecidas? Se a Grécia foi uma espécie de sublime cristalização balcânica, um ponto luminoso numa confusão de povos que se perdem, para as bandas do Norte, em geladas estepes infinitas, também Portugal foi uma definição ocidental e da confusa Ibéria ou Balcãs do Ocidente, não espraiada ou ilimitada, mas definida como um bloco a sair do mar, apenas ligado à terra firma por um processo isolador ou montanhoso: a maior confusão étnica dentro da mais nítida definição geográfica.
Os Gregos, como o Lusíadas, foram navegadores e colonizadores. Ainda existe uma nova Tróia, em frente de Setúbal, numa paisagem que lembra a Helénia. E ainda possuímos belas estátuas actuais de carne e osso de antigas mulheres gregas em algumas praias. Temos um Partenão nos Jerónimos, uma deusa Minerva em Coimbra, que ostenta o título de Lusa Atenas, com tão alta prosápia como a torre da Universidade, onde floresce a filosofia medieva, vulgo Teologia. A deusa da Ciência está sobre a cátedra de um lente ou de uma veneranda cabeça catedrática e segura uma esfera de mármore nas mãos, o que inspirou a seguinte quadra ao nosso Afonso Vieira:

Se o pai dos deuses consente,
Deixa cair essa bola
Sobre a cabeça do lente.

Teixeira de Pascoaes, Ensaios de Exegese Literária e Vária Escrita

sábado, 22 de outubro de 2011

Bizet - Les Pêcheurs de Perles: Au fond du temple saint (Vargas/Tézier).

A gracious spirit

«A gracious spirit o'er this earth presides,
And o'er the heart of man; invisibly
It comes, to works of unreproved delight,
And tendency benign, directing those
Who care not, know not, think not, what they do.
Tha tales that charm away the wakeful night
In Araby, romances; legends penned
For solace by dim light of monkish lamps;
Fictions, for ladies of their love, devised
By youthful squires; adventures endless, spun
By the dismantled warrior in old age,
Out of the bowels of those very schemes
In which his youth did first extravagate;
These spread like day, and something in the shape
Of these will live till man shall be no more.
Dumb yearnings, hidden appetites, are ours,
And "they must" have their food. Our childhood sits,
Our simple childhood, sits upon a throne
That hath more power than all the elements.
I guess not what this tells of Being past,
Nor what it augurs of the life to come;
But so it is; and, in that dubious hour -
That twilight - when we first begin to see
This dawning earth, to recognise, expect,
And, in the long probation that ensues,
The time of trial, ere we learn to live
In reconcilement with  our stinted powers;
To endure this state of meagre vassalage,
Unwilling to forego, confess, submit,
Uneasy and unsettled, yoke-fellows
To custom, mettlesome, and not yet tamed
And humbled down - oh! then we feel, we feel,
We know where we have friends. Ye dreamers, then,
Forgers of daring tales! we bless you then,
Impostors, drivellers, dotards, as the ape
Philosophy will call you: "tehn" we feel
With what, and how great might ye are in league,
Who make our wish, our power, our thought a deed,
An empire, a possession, - ye whom time
And seasons serve; all Faculties to whom
Earth crouches, the elements are potter's clay,
Space like a heaven filled up with northern lights,
Here, nowhere, there, and everywhere at once.»

William Wordsworth, The Prelude or, Growth of a Poet's Mind. An Autobiographical Poem

Jean Baptiste LULLY: TE DEUM (3)

Brise Marine

La chair est triste, hélas! et j'ai lu tous les livres.
Fuir! là-bas fuir! Je sens que des oiseaux sont ivres
D'être parmi l'écume inconnue et les cieux!
Rien, ni lex vieux jardins reflétés par les yeux!
Ne retiendra ce coeur qui dans la mer se trempe
Ô nuits! ni la clarté déserte de ma lampe
Sur le vide papier que la blancheur défend
Et ni la jeune femme allaitant son enfant.
Je partirai! Steamer balançant ta mâture,
Lève l'ancre pour une exotique nature!
Un Ennui désolé par les cruels espoirs,
Croit encore à l'adieu suprême des mouchoirs!
Et, peut-être, les mâts, invitant les orages
Sont-ils ceux que le vent penche sur les naufrages
Perdus, sans mâts, sans mâts ni fertiles ilots...
Mais, ô mon coeur, entends le chant des matelots!

Stéphane Mallarmé

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Morrissey Everyday Is Like Sunday Live

Mundo

«O mundo desconhecido poderá estar feito de modo a dar-nos o gosto do mundo daqui, a não ser mais do que uma forma inferior e talvez estúpida de existência;
O outro mundo, indiferente aos nossos desejos - que nele nunca encontrariam qualquer satisfação - poderá fazer parte da massa de coisas que nos tornam possível o mundo daqui, o qual, por ser conhecido, seria um meio de tornar-nos felizes;
O mundo verdadeiro - e quem nos diz que o mundo aparente há-de ter menos valor do que o mundo verdadeiro! Será que o nosso instinto não contradiz um tal juízo? Não constrói o homem, incessantemente, um mundo imaginário por que quer ter um mundo melhor do que a realidade? Tanto mais que nada nos leva a pensar que o nosso mundo não é o mundo verdadeiro... À primeira vista, o outro mundo é que será aparente (de facto, os gregos imaginaram um reino das sombras, uma existência aparente ao lado duma existência verdadeira).
Enfim: o que é que nos dará o direito de estabelecer graus de realidade? É que não se trata da existência dum mundo desconhecido, mas da nossa necessidade de saber alguma coisa dum mundo desconhecido.
O outro mundo... o mundo desconhecido... Pois seja: mas, dizer o mundo verdadeiro, é dizer que sabemos alguma coisa dele: o contrário da hipótese dum mundo x.
Em suma: o mundo x poderá ser, em todos os sentido, x mais aborrecido, mais desumano e mais indigno do que o mundo daqui. Diferentemente seria se afirmássemos que há o número x de mundos; ou seja, que há todos os mundos possíveis em nosso redor. O que jamais foi afirmado.
Problema: por que é que a representação de outro mundo conclui sempre pela desvantagem, ou pelo menos pela crítica, do mundo daqui? O que indicará isso?
Assim, um povo ufano, de vida ascendente, pensa que qualquer outra maneira de ser será inferior, de menor valia; o mundo estranho, desconhecido, é considerado como inimigo e oponente; não há, para com o estrangeiro, nem curiosidade nem aversão. Um qualquer povo nunca nunca admitiria que um outro povo fosse o povo verdadeiro. Para que uma tal distinção fosse possível, seria porém necessário tomar o mundo daqui por aparente e o outro por verdadeiro - o que é sintomático.
Focos que originaram a ideia de outro mundo:
Os filósofos, ao inventarem um mundo de razão, onde a razão e as funções lógicas estão adequadas ao mundo verdadeiro;
Os homens religiosos, que inventaram um mundo divino, donde deriva um mundo desvirtuado, contranatura;
Os homens morais, que imaginam um mundo livre, donde deriva o mundo bom, perfeito, justo, santo.
Ponto comum destes três focos: erro psicológico, confusões fisiológicas.
O outro mundo, tal como efectivamente aparece na história, é caracterizado por quais atributos? Pelos estigmas de pré-juízos filosóficos, religiosos e morais. O outro modo, que resulta desses factos, é sinónimo do não-viver, da vontade de não viver. Verdadeiramente, foi a fraqueza de viver e não o instinto vital que criou o outro mundo.
Em consequência: a filosofia, a religião, a moral são sintomas de decadência.»

Friedrich Nietzsche, A Vontade de Poder, o Niilismo europeu 

Gloria : Westminster Cathedral Choir

Bosques

«Ao entrarmos no bosque da ficção, espera-se que assinemos um pacto ficcional com o autor e estejamos dispostos a aceitar, por exemplo, que os lobos falem; mas quando a menina do Capuchinho Vermelho é devorada pelo lobo, pensamos logo que morreu (convicção esta vital para o extraordinário prazer que o leitor retirará da sua ressurreição). Imaginamos o lobo peludo e de orelhas pontiagudas e fitas, mais ou menos como os que encontramos nos bosques verdadeiros, e parece-nos natural que o Capuchinho Vermelho se comporte como uma menina e mãe dela como uma mulher adulta, preocupada e responsável. Porquê? Porque é isso que acontece no mundo da nossa experiência, um mundo a que por ora, e sem demasiados compromissos ontológicos, chamaremos mundo real.
O que digo pode parecer muito óbvio, mas deixa de o ser se nos agarrarmos ao nosso dogma da suspensão da incredulidade. Parece que quando lemos uma obra de ficção suspendemos a nossa incredulidade a respeito de umas coisas, mas não de outras. E como a fronteira entre aquilo em que devemos acreditar e aquilo em que não devemos acreditar é muito ambígua (como veremos), como podemos condenar o pobre Vítor Manuel III? Se ele apenas devesse admirar os elementos estéticos do quadro (as cores, a qualidade da perspectiva), nunca deveria ter perguntado quantos habitantes tinha a aldeia. Mas se entrou no quadro, como nós entramos num mundo ficcional, e se imaginou a deambular por aquelas colinas, por que não perguntar-se quem encontraria na aldeia e se por acaso não haveria lá uma estalagem tranquila? Se o quadro era, como imagino, realista, porquê pensar que a aldeia estivesse desabitada, ou assolada por pesadelos, à la Lovercreft? Aqui reside o fascínio de toda a ficção, verbal ou visual: encerra-nos dentro dos limites do seu mundo e induz-nos, de uma maneira ou de outra, a levá-lo a sério.»

Umberto Eco, «Os Bosques Possíveis», in Seis passeios nos bosques da ficção 

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Dexter Gordon in a sentimental mood.wmv

O que importa

Dizem-me que devo estar atento e que o que importa é aquilo a que não dou atenção.
Que importa a tralha que nos tolda os dias? - pergunto. Que importa discutir o acessório?

Suspensão

Até que ponto o facto de alguém se suspender de si pode constituir uma aproximação àquilo que, de algum modo, acontece quando Fernando Pessoa estabelece a existência de dramatis personae?

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Henry Purcell - The Tempest / Air

Like as the waves make towards the pebbled shore,

Like as the waves make towards the pebbled shore,
So do our minutes hasten to their end,
Each changing place with that which goes before,
In sequent toil all forwards do contend.
Nativity, once in the main of light,
Crawls to maturity; whrewith being crowned
Crooked eclipses 'gainst his glory fight,
And time, that gave, doth now his gift confound.
Time doth transfix the flourish set on youth,
And delves the parallels in beauty's brow;
Feeds on the rarities of nature's truth,
And nothing stands but for his scythe to mow.
    And yet to times in hope my verse shall stand,
    Praising thy worth, despite his cruel hand.

William Shakespeare

sábado, 15 de outubro de 2011

"Flow my tears" by John Dowland

XVII. Ho Letto...

Appunti di Taccuino

«Ho letto una descrizione tristissima, disperata, delle condizioni d'Italia. Una volta, letture di questa sorta mi davano mezze giornate, giornate o settimane di umor nero. Ora non più: esperienza, scienza e sdegno morale mi hanno, verso di esse, fortificato. Esperienza: perché odo ormai da alcuni decennî, di tratto in tratto, qualcuno o parecchi annunziare e dimostrare che l'Italia sta per disgregarsi politicamente o fallire economicamente o dissolversi nella corruttela o esser trascinata in una guerra, che sará la sua fine come Stato e come Nazione. E nessuno dei disastri profetati à mai accaduto, e molti malanni sono spariti (in cambio, è vero, ne è sorto qualcuno nuovo, ma ciò nell'ordine di natura); e, in complesso, non si sta peggio, e si può dire persino che si sia progredito. Scienza: perché ho appreso che quelle descrizioni pessimistiche debbono di necessità essere esagerate e perciò false, essendo metafisicamente impossibile che una società, anche per un istante, si regga sull'irrazionalità e sul male; e se alcuno non riesce a scorgere la legge razionale di una data configurazione sociale, e se scorge soltanto il male o considera come male la fenomenologia stessa del bene, dia la colpa a se medesimo, che ha mente astratta e non concreta, meccanica e non organica (epperò impotente a comprendere un organismo), analitica, ma di un'analisi senza sintesi. E, infine, sdegno morale; giacché considerare spregiudicatamente e affisare coraggiosamente i duri tratti della realtà per dominarla e operare, è da uomo; ma stare a descrivere il sognato male, così, per descriverlo e per ammazzare il tempo, o peggio ancora per compiacersi di fronte ad esso della propria non meno sognata superiorità, o peggio di peggio, per trarne giustificazione ad accomodarvisi (i pessimisti sono di solito accomodantisti), è da pettegolo, da vanesio e da ciacco. Quella maldicenza è propria della gente volgare, del borghesuccio ozioso; e non v'ha circolo di perditempo in cui non si passino a rassegna gli orrori della presente società e non si presagisca il finimondo. In verità, a petto di cotesti moralisti da caffé o da farmacia (e degli scrittori che ad essi corrispondono), non c'è canaglia o imbroglione o ladruncolo, che non s'irraggi di umana simpatia; perché la canaglia, l'imbroglione e il ladro operano, s'ingegnano, si distreggiano e rischiano la pelle o la libertà, e spesso dal male che essi fanno nasce un bene inaspettato; laddove quei moralisti oziano, e non possono ingenerare altro bene che lo sdegno e la nausea, che suscitano, in coloro in cui la suscitano. - Ma da quando in qua non è più lecito effondere la propria tristezza in presenza dei mali del mondo? - Sí, che è lecito, ma al poeta, il quale, come disse un poeta-filosofo, «con la forma distrugge la materia», ossia la rende ideale; non già al'uomo pratico, al quale condannare un fatto non è lecito senza insieme aiutare il sorgere di un altro fatto che sostituisca il primo (che è condannato giustamente soltanto quando è sostituibile); e chi condanna a questo modo, non si può dire che si compiaccia nel chiacchierare ozioso, perché egli, come può, opera, e dunque, se opera, non è pessimista, ma ottimista.»

Benedetto Croce, Cultura e Vita Morale

John Cage - 4'33" (BBC)

77

«É, porém, um facto curioso que a religião e a ciência têm a mesma base - a intuição determinista. A noção de lei é fundamental na ciência, e na mentalidade científica; sem que haja uma noção de lei, nem pode haver ciência, nem quem busque fazer ciência.
Mas esta mesma noção de determinismo é que é o fundamento da religião; porque a religião não passa, na essência, do reconhecimento de que a vida, a acção, tudo quanto somos e representamos, não tem origem ou explicação em nós mesmos, mas está nas mãos de um poder ou poderes desconhecidos.

Paralelamente, porém, ao reconhecimento da existência de uma força superior a ele, o homem nota, também, que a acção dessa força, no que se refere às ideias morais e outras (que ele tira da sua vida social), é absurda por vezes, outras vezes injusta, frequentemente inexplicável. O que acontece é por vezes imoral; morre o justo ante o pecador, e a astúcia vale mais que a honestidade muitas vezes. Mas isto acontece umas vezes, e outras o contrário; difícil é determinar qual a lei oculta a que tudo isso obedece. Por isso a religião espontânea da humanidade reconhece que, como há motivos desencontrados e absurdos provindos da complexidade, na vida, assim deve haver, governando-nos, não só uma presença, mas várias; e os mais lógicos entre os homens reconhecem que essas várias presenças, que nos regem, como não são limitadas na sua regência e contudo produzem por vezes efeitos imorais para nós, e por certo injustos frequentemente, ou têm uma moral diferente da nossa, ou moral nenhuma, ou são, como nós, susceptíveis de caprichos e de volubilidades. Tal a doutrina pagã, que, completada, reconhece, porém, mais alguma coisa. Assim como nós agimos e supomos que produzimos acção, mas, pensando bem, reparamos na nossa servitude, e que a acção que agimos não é nossa mas produzida, assim chegamos a crer que essa acção das presenças superiores não emane exclusivamente deles, mas de qualquer outra presença, que os governe. E assim a lógica do paganismo concebe, e bem, que o Destino se oculta por detrás, e interiormente, à acção dos homens e dos deuses.

A ideia cristã, de que há um Deus supremo moralmente caracterizável, e presenças intermédias de várias espécies, primordialmente os anjos, é menos lógica que a ideia pagã. Pondo acima de tudo (no lugar de Deus no cristismo) o Destino, o pagão reconhecia que o que temos que ter por superior a tudo é a Lei, mas a Lei nem moral nem imoral, nem caracterizável  nem não,simples força a que se não pode resistir, compulsão contra a qual não há revolta e da qual não há apelo.»

Ricardo Reis, Prosa

Pat Metheny - Into The Dream

Littérature

«La littérature, disait Sainte-Beuve, n'est pas pour moi distincte ou, du moins, séparable du reste de l'homme et de l'organization... On ne saurait s'y prendre de trop de façons et de trop de bouts pour connaître un homme, c'est-à-dire autre chose qu'un pur esprit. Tant qu'on ne s'est pas adressé sur un auteur un certain nombre de questions et qu'on n'y a pas répondu, ne fût-ce que pour soi seul et tout bas, on n'est pas sûr de le tenir tout entier, quand même ces questions sembleraient les plus étrangères à la nature de ses écrits: Que pensait-il de le religion? Comment était-il affecté du spectacle de la nature? Comment se comportait-il sur l'article des femmes, sur l'article de l'argent? Était-il riche, pauvre; quel était son régime, se manière de vivre journalière? Quel était son vice ou son faible? Aucune réponse à ces questions n'est indifférent pour juger l'auteur d'un livre et le livre lui-même, si ce livre n'est pas un traité de géométrie pure, si c'est surtout un ouvrage littéraire, c'est-à-dire où il entre de tout.»

Marcel Proust, Contre Sainte-Beuve

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Bill Evans - Midnight Mood

Apolo Musageta

Eras o primeiro dia inteiro e puro
Banhando os horizontes de louvor.
Eras o espírito a falar em cada linha,
Eras a madrugada em flor
Entre a brisa marinha.
Eras uma vela bebendo o vento dos espaços,
Eras o gesto luminoso de dois braços
Abertos sem limite.
Eras a pureza e a força do mar,
Eras o conhecimento pelo amor.

Sonho e presença
Duma vida florindo
Possuída e suspensa.

Eras a medida suprema, o cânone eterno,
Erguido puro, perfeito, harmonioso,
No coração da vida e, para além da vida,
No coração dos ritmos secretos.

Sophia de Mello Breyner Andresen