Io credo nelle persone, però non credo nella maggioranza delle persone. Anche in una società più decente di questa, mi sa che mi troverò a mio agio e d'accordo sempre con una minoranza. (Nanni Moreti)
Acerca de mim
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Juventude
«É preciso todavia uma grande ingenuidade para crer que gritar e bradar no mundo há-de auxiliar, como se dessa maneira o destino de um indivíduo se modificasse. Aceita-se tal como nos é oferecido, e contorna-se todas as complicações. Na minha juventude, quando ia a um restaurante, dizia então para o criado: um naco bom, um naco muito bom, do lombo, sem ser demasiado gordo. Talvez o criado nem sequer ouvisse o meu clamor, e menos ainda houvesse de nele ter atentado, e menos ainda houvesse a minha voz de conseguir chegar à cozinha e influenciar o cortador, e mesmo que tudo isso acontecesse, talvez não houvesse um bom naco em todo o assado. Agora já não grito mais.»
Soren Kierkegaard, Ou - Ou, Um Fragmento de Vida
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Menzogna
«"... svariate missive di lettori e lettrici, a proposito do Si sta facendo sempre più tardi, secondo i quali avrei raccontato la loro storia, perché si erano riconosciuti in questa o in quella lettera. E fin qui, passi. Hai voglia di appellarti alla cosiddetta 'autonomia del testo' o a certe geniali battute del Gadda: la letteratura sarà sempre uno specchio dove riconoscerti, se ti cerchi, o soprattutto se non hai altre uscite. Ma figurati che un signore, credo uno scienziato del ramo medico che vive negli Stati Uniti e che assicura di avermi conosciuto a Genova vent'anni fa, ha scritto una lettera al regista Fernando Lopes dove pretende che la sua figura (di lui, il medico) mi sarebbe servita per il personaggio di Spino, abbassando però il livello sociale e profissionale. Spino in realtà sarei io, perché dentro la sua pelle ci avrei infilato il me stesso di allora, un uomo di un pessimismo funereo, dice, praticamente nichilista, privo di teoretica e soprattutto senza ideali né speranza. So già cosa mi risponderesti: e il padrone della Tabaccheria ha sorriso. D'accordo, però a quel signore direi volentieri che se Spino sono io, ma in fondo ci si riconosce lui, ebbene, non è vero soltanto che quando si scrive l'Io è un altro, come ci insegnano. È un altro anche lui, finalmente, e che non se la prenda troppo; qualcuno gli ha fatto cambiare pelle, una volta nella vita. Vita che sarà anche brillante, soddisfacente e di prima classe, mas questo non elimina la monotonia. Io l'ho fatto viaggiare in terza classe, anche se per poche pagine, ma grazie a me ha fatto un'esperienza che forse in vita sua non avrebbe mai fatto. Insomma, un'autobiografia altrui, se così posso dire, fatta da un mio lettore, che a suo modo è una poetica a posteriori anch'essa, e che certo non mi lascio scappare, perché merita un suo posto fra queste mie poetiche a posteriori tendenzialmente illogiche, carenti di deontologia, cariche di false memorie e false volontà, messaggere di un senso che ci sforziamo pateticamente di dare poi a qualcosa che avvenne prima. Vedrai: ipotesi vagabonde, nomadi e soprattutto arbitrarie, alle quali non si addice nessuna filologia. E che sono soprattutto un pretesto per parlare di libri altrui. Credo sia questo il senso delle pagine che ti mando, pagine che valgono per quello che valgono, a parte il valore che ha la menzogna, volontaria o involontaria che sia. Perché la menzogna ha comunque una certa utilità: serve a definire i confini della verità".»
Antonio Tabucchi, Lettera a un amico
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Vozes
Vozes ideais e amadas
daqueles que morreram, e daqueles que são
para nós perdidos como os mortos.
Às vezes nos nossos sonhos falam;
às vezes no pensamento as ouve a mente.
E com o seu som por um momento regressam
sons da primeira poesia da nossa vida -
qual música,à noite, longínqua, que se apaga.
daqueles que morreram, e daqueles que são
para nós perdidos como os mortos.
Às vezes nos nossos sonhos falam;
às vezes no pensamento as ouve a mente.
E com o seu som por um momento regressam
sons da primeira poesia da nossa vida -
qual música,à noite, longínqua, que se apaga.
Konstandinos Kavafis
sábado, 26 de janeiro de 2013
domingo, 20 de janeiro de 2013
Vida
«Mas a vida. A lenta derrocada dos grandes caules verdes de tal modo que a flor acaba por se virar, ao cair, inundando-nos com uma luz de púrpura e vermelho. Por que é que, bem vistas as coisas, não nascemos ali em vez de aqui, desamparados, incapazes de ajustarmos como deve ser a luz do olhar, rastejando na erva entre as raízes, entre os calcanhares dos Gigantes? Porque dizer o que são as árvores, e o que são homens e o que são mulheres, ou sequer o que é haver coisas como árvores, homens e mulheres, não será algo que estejamos em condições de fazer nos próximos cinquenta anos. Não há nada por vezes senão espaços de luz e de escuridão, intersectados por grandes hastes densas e talvez bastante mais acima manchas em forma de rosa - rosa-pálido ou azul-pálido - de cor indecisa, e tudo isso, à medida que o tempo passa, se vai tornando mais definido e se transforma - em não se pode saber o quê.»
Virginia Woolf, «A Marca na Parede»
sábado, 12 de janeiro de 2013
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Rimembranza
«Mentre il mondo del futuro è aperto all'immaginazione, e non ti appartiene più, il mondo del passato è quello in cui attraverso la rimembranza ti rifugi in te stesso, ritorni in te stesso, ricostruisci la tua identità, che si è venuta formando e rivelando nella ininterrotta serie dei tuoi atti di vita, concatenati gli uni con gli altri, ti giudichi, ti assolvi, ti condanni, puoi anche tentare, quando il corso della vita sta per essere consumato, di fare il bilancio finale. Bisogna affrettarsi. Il vecchio vive di ricordi e per i ricordi, ma la sua memoria si affievolisce di giorno in giorno. Il tempo della memoria procede all'inverso di quello reale: tanto più vivi i ricordi che affiorano nella reminiscenza quanto più lontani nel tempo gli eventi. Ma sai anche che ciò che è rimasto, o sei riuscito a scavare in quel pozzo senza fondo, non è cha un'infinitesima parte della storia della tua vita. Non arrestarti. Non tralasciare di continuare a scavare. Ogni volto, ogni gesto, ogni parola,ogni più lontano canto, ritrovati, che sembravano perduti per sempre, ti aiutano a sopravvivere.»
Norbeto Bobbio, De Senectute e altri scritti autobiografici
sábado, 5 de janeiro de 2013
O Silva
Morreu o filho do barbeiro,
Uma criança de cinco anos.
Conheço o pai - há um ano inteiro
Que me barbeia e nos falamos.
Quando mo disse, o que em mim há
De coração sofreu assombro
E eu abracei-o, incerto já,
E ele chorou sobre o meu ombro.
Nunca acho uma atitude plana
Na vida estúpida e tranquila;
mas, meu Deus, sinto a dor humana!
Nunca me tires o senti-la!
Uma criança de cinco anos.
Conheço o pai - há um ano inteiro
Que me barbeia e nos falamos.
Quando mo disse, o que em mim há
De coração sofreu assombro
E eu abracei-o, incerto já,
E ele chorou sobre o meu ombro.
Nunca acho uma atitude plana
Na vida estúpida e tranquila;
mas, meu Deus, sinto a dor humana!
Nunca me tires o senti-la!
Fernando Pessoa, Poemas de Fernando Pessoa (1934-1935) [edição de Luís Prista]
Morte
«É provável que o pensamento filosófico tenha nascido como reflexão sobre o começo, sobre o arkhé - como nos ensinam os pré-socráticos -, mas essa reflexão foi certamente inspirada pela constatação de que as coisas, para além de um começo, também têm um fim. Por outro lado, o exemplo clássico do silogismo (logo, de um raciocínio incontestável) é: «Todos os homens são mortais, Sócrates é homem, logo Sócrates é mortal.» Que Sócrates também é mortal é o resultado de uma inferência, mas que todos os homens o sejam é uma premissa indiscutível. Muitas outras verdades indiscutíveis (que o Sol gira à volta da Terra, que há uma geração espontânea, que a pedra filosofal existe) foram revogadas pela dúvida ao longo da História - mas que todos os homens sejam mortais, não. No máximo, os crentes assumem que houve Um que ressuscitou: mas para poder ressuscitar teve de morrer.
É por isto que quem pratica a filosofia aceita a morte como o nosso horizonte normal, e não foi necessário esperar por Heidegger para que se afirmasse que quem pensa vive para a morte. Escrevi «quem pensa» referindo-me ao pensamento filosófico, porque conheço muitas pessoas, mesmo cultas, que quando alguém fala na morte (e nem sequer na deles) fazem logo gestos de esconjuro. O filósofo não, sabe que deve morrer e vive operosamente nesta espera. Quem acredita numa vida sobrenatural espera a morte com serenidade, mas espera-a igualmente com serenidade quem pensa (como Epicuro) que, quando o momento chega, não nos devemos preocupar, porque, nesse instante, já cá não estaremos.»
É por isto que quem pratica a filosofia aceita a morte como o nosso horizonte normal, e não foi necessário esperar por Heidegger para que se afirmasse que quem pensa vive para a morte. Escrevi «quem pensa» referindo-me ao pensamento filosófico, porque conheço muitas pessoas, mesmo cultas, que quando alguém fala na morte (e nem sequer na deles) fazem logo gestos de esconjuro. O filósofo não, sabe que deve morrer e vive operosamente nesta espera. Quem acredita numa vida sobrenatural espera a morte com serenidade, mas espera-a igualmente com serenidade quem pensa (como Epicuro) que, quando o momento chega, não nos devemos preocupar, porque, nesse instante, já cá não estaremos.»
Umberto Eco, A Passo de Caranguejo, Guerra quentes e populismo mediático
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Natureza
«Quero dizer algumas palavras em nome da Natureza, da liberdade absoluta e do estado selvagem, por contraste com a liberdade e a cultura meramente civilizadas, com o intuito de ver no homem um habitante, uma parte ou uma parcela da Natureza, e não um mero membro da sociedade. Pretendo fazer declarações muito duras, senão mesmo categóricas, pois há já muitos paladinos da civilização: os padres, as congregações escolares e todos vós se encarregarão dessa tarefa.»
Henry David Thoreau, Caminhada
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Autobiografia
«Sim, uma autobiografia é irresistível. Aquele pobre, tolo e presumido secretário Pepys ganhou entrada, falando pelos cotovelos, no círculo dos Imortais; consciente de que na indiscrição está a parte de leão do valor, afadiga-se entre eles, perfeitamente à vontade, na sua «felpuda casaca violeta de botões dourados e renda em arco», que tanto gosta de nos descrever, enquanto se vai gabando, para seu e nosso infinito prazer, do saiote azul da Índia que comprou para a mulher, das «fressuras de um belo porco» e do «agradável fricassé francês de vitela» que adorava comer, dos seus jogos de bola e arco com Will Joyce, da sua «caça às mulheres», das suas declamações dominicais de Hamlet, de como tocava violeta nos dias de semana, e outras coisas triviais ou pecaminosas. Nem mesmo na vida real o egotismo deixa de ter atractivos. As pessoas que nos falam dos outros são normalmente desinteressantes. Quando nos falam de si mesmas são quase sempre interessantes, e, se fôssemos capazes de calá-las quando se tornam aborrecidas, com a mesma facilidade com que podemos fechar um livro de que nos cansámos, seriam absolutamente perfeitas.»
Oscar Wilde, Intenções, quatro ensaios sobre estética
domingo, 30 de dezembro de 2012
Infanzia
«Vedere la mia infanzia? più di dieci lustri me ne separano e i miei occhi presbiti forse potrebbero arrivarci se la luce che ancora ne riverbera non fosse tagliata da ostacoli d'ogni genere, vere a alte montagne: i miei anni e qualche mia ora.
Il dottore mi raccomandò di non ostinarmi a guardare tanto lontano. Anche le cose recenti sono preziose per essi e sopra tutto le immaginazioni e i sogni della notte prima. Ma un po' d'ordine pur dovrebb'esserci e per poter cominciare ab ovo, appena abbandonato il dottore che di questi giorni e per lungo tempo lascia Trieste, solo per facilitargli il compito, comperai e lessi un trattato di psico-analisi. Non è difficile d'intenderlo, ma molto noioso.
Dopo pranzato, sdraiato comodamente su una poltrona Club, ho la matita e un pezzo di carta in mano. La mia fronte è spianata perché dalla mia mente eliminai ogni sforzo. Il mio pensiero mi appare isolato da me. Io lo vedo. S'alza, s'abbassa... ma è la sua sola attività. Per ricordargli ch'esso è il pensiero e che sarebbe suo compito di manifestarsi, afferro la matita. Ecco che la mia fronte si corruga perché ogni parola è composta di tante lettere e il presente imperioso risorge ed offusca il passato.
Ieri avevo tentato il massimo abbandono. L'esperimento finì nel sonno più profondo e non ne ebbi altro risultato che un grande ristoro e la curiosa sensazione di aver visto durante quel sonno qualche cosa d'importante. Ma era dimenticata, perduta per sempre.»
Il dottore mi raccomandò di non ostinarmi a guardare tanto lontano. Anche le cose recenti sono preziose per essi e sopra tutto le immaginazioni e i sogni della notte prima. Ma un po' d'ordine pur dovrebb'esserci e per poter cominciare ab ovo, appena abbandonato il dottore che di questi giorni e per lungo tempo lascia Trieste, solo per facilitargli il compito, comperai e lessi un trattato di psico-analisi. Non è difficile d'intenderlo, ma molto noioso.
Dopo pranzato, sdraiato comodamente su una poltrona Club, ho la matita e un pezzo di carta in mano. La mia fronte è spianata perché dalla mia mente eliminai ogni sforzo. Il mio pensiero mi appare isolato da me. Io lo vedo. S'alza, s'abbassa... ma è la sua sola attività. Per ricordargli ch'esso è il pensiero e che sarebbe suo compito di manifestarsi, afferro la matita. Ecco che la mia fronte si corruga perché ogni parola è composta di tante lettere e il presente imperioso risorge ed offusca il passato.
Ieri avevo tentato il massimo abbandono. L'esperimento finì nel sonno più profondo e non ne ebbi altro risultato che un grande ristoro e la curiosa sensazione di aver visto durante quel sonno qualche cosa d'importante. Ma era dimenticata, perduta per sempre.»
Italo Svevo, La Coscienza di Zeno
Começos
«Assim é que nunca a filosofia, ao começar qualquer asunto, procede como se esse fosse um começo directo, antes o apresenta como uma derivação, como algo de já demonstrado; a filosofia exige a provação de que o ponto de vista escolhido se impõe como necessário. É a própria filosofia que exige, para o começo, para o conceito da arte, um antecedente, a fim de que esse conceito seja um resultado demonstrado, um ponto de chegada necessário. Podemos dizer que não há, em ciênci, começo absoluto. Por começo absoluto entende-se muitas vezes um começo abstracto, um começo que não passa de começo. Mas sendo a filosofia uma totalidade, como tal tem o seu começo em tudo. Ora, essencialmente, em tudo este começo é um resultado. É preciso conceber a filosofia como um círculo regressando a si mesmo.»
G.W.F. Hegel, Estética
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Chapitre XVIII
En quelle sorte le temps passé et l'avenir sont présents.
Seigneur, qui êtes toute mon espérance, permettez-moi je vou prie d'approfondir encore davantage cette difficulté, sans que je sois troublé dans l'attention d'esprit que j'y apporte. Je désire de savoir où sont les choses futures et les passées, si l'on peut dire qu'elles sont. Que si cette connaissance est au-dessus de moi, au moins je suis assuré qu'en quelque lieu qu'elles soient, elles n'y sont ni futures ni passées, mais présentes, puisque si elles y sont futures, elles n'y sont pas encore, et que si elles y sont passées, elles n'y sont plus. En quelque lieu donc qu'elles soient, et quelles qu'elles puissent être, elles n'y sont que présentes. Ainsi lorsqu'on nous raconte des choses passées, si on les rapporte selon la vérité, on les tire de la mémoire, non pas les choses mêmes qui sont passées, mais les paroles qu'on a conçues des images de ces mêmes choses, qui en passant par nos sens ont imprimé dans notre esprit comme leurs traces et leurs vestiges. Car mon enfance, laquelle n'est plus, est dans le temps passéqui n'est plus aussi. Mais lorsque ja m'en souviens, et que j'en raconte quelque chose, c'est sans doute dans le temps présent que je considère son image, parce qu'elle est encore dans ma mémoire.
J'avoue, mon Dieu, que j'ignore si c'est de la même sorte qu'on prédit l'avenir, l'image de ce qui n'est point encore étant déjà, et se présentant à notre esprit. Mais je sais bien que nous prévenons souvent par notre pensée nos actions à venir, et que cette préméditation est présente, encore que l'action que nous préméditons ne le soit pas, parce qu'elle n'est pas encore advenue, et qu'elle ne sera que quand nous aurons entrepris, et commencerons de faire cette action que nous avions préméditée, parce qu'alors elle ne sera plus future, mais présente.
En quelque sorte donc qu'arrive ce pressentiment secret des choses futures, on ne saurait voir que ce qui est. Or ce qui est déjà, n'est point à venir, mais présent. Ainsi lorsqu'on dit que l'on voit les choses futures, ce ne saurait être elles-mêmes, puisqu'elles ne sont pas encore; mais c'est peut-être leur cause ou leur signe que l'on voit lesquels sont déjà. Ainsi ce qui donne moyen de prédire les choses à venir, n'est pas à venir, mais présent à ceux qui le voient, et qui s'en servent pour concevoir l'avenir: comme aussi la pensée dont ils les conçoivent est déjà dans leur esprit, quoique ce qu'ils conçoivent et qu'ils prédisent ne soit pas encore.
Entre un si grand nombre de choses qui m'en peuvent fournir des exemples, je veux ici en rapporter un. Lorsque j'aperçois l'aurore, je prévois aussitôt que le soleil va se lever: ce que j'aperçois est présent, et ce que je prédis est à venir, non pas le soleil qui est déjà, mais son lever qui n'est pas encore; et je ne pourrais le prédire si je ne l'imaginais dans mon esprit, ainsi que je fais maintenant lorsque j'en parle. Mais cette aurore même laquelle je vois dans le ciel, n'est pas le lever du soleil, encore qu'elle le précède, ni cette imagination que je conçois dans mon esprit n'est pas non plus ce lever; mais ce sont ces deux choses lesquelles sont présentes, qui me font prédire le lever du soleil qui est à venir. Par conséquent les choses futures ne sont point encore; et si elles ne sont point encore, elles ne sont point; et si elles ne sont point, elles ne peuvent en aucune sorte être vues; mais elles peuvent être prédites par les choses présentes qui sont déjà, et qui sont vues.»
Santo Agostinho, La Création du monde et le Temps
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
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