Io credo nelle persone, però non credo nella maggioranza delle persone. Anche in una società più decente di questa, mi sa che mi troverò a mio agio e d'accordo sempre con una minoranza. (Nanni Moreti)
Acerca de mim
quarta-feira, 28 de abril de 2021
50.
Silence
«The great poem. As I say it, it becomes clear to me that I have accepted it, until quite recently, as something which certainly exists, putting it highhandedly beyond any suspicion of coming into being. Even if the originator behind it were to appear, I should not be able to imagine the power which all at once had broken so great a silence. Just the builders of the cathedrals shot up, like grains of seed, immediately and without residue, into growth and blossom in their work, which stood there as if it had always been, no longer explicable as deriving from them: so the great poets of the past and the present remain entirely incomprehensible to me, the place of each being taken by the tower and bell of his heart. Only since a most proximate younger generation, striving upward and into the future, has embodied, not insignificantly, their own growth in the growth of their poems, does my eye seek to recognize, alongside of their achievement, the circumstances of the creative personality. But even now, when I must acknowledge that poems are formed, I am far from thinking them invented; it seems to me ratheras if there appeared in the soul of the poetically inspired a spiritual predisposition, which was already present between us (like an undiscovered constellation).»
Rainer Maria Rilke, Where the silence reigns
sexta-feira, 16 de abril de 2021
ADIÓS
quinta-feira, 15 de abril de 2021
Boredom
«It is by no means essential to my argument to maintain that boredom came into existence only when it was first named. One can never prove taht a new feeling has entered the world. The emotion Shakespeare's Hippolita experiences may in fact have precidely corresponded to what we understand as boredom, but the language assigned to her emotion differs from the twentieth-century vocabulary of boredom, and I maintain the importance of the difference. If new feelings arguably never manifest themselves, new concepts uniquivocally do. Boredom was in the eighteenth century a new concept, if not necessarily a new event. The emergence of a new concept marks a significant cultural happening because it allows articulation of fresh ways to understand the world.
Patricia Meyer Spacks, Boredom
quarta-feira, 14 de abril de 2021
Ritmo
«O ritmo não é apenas um aliado da memória, pois também é um catalisador dos nossos prazeres - a dança, a música e o sexo jogam com a repetição, o compasso e as cadências. A linguagem também possui infinitas possibilidades rítmicas. A épica grega flui em hexâmetros, que criam um peculiar ritmo acústico através de combinações de sílabas longas e breves. Pelo contrário, o verso hebraico prefere os ritmos sintáticos: «Há um breve momento para tudo e um tempo para cada coisa sob o céu: um tempo para nascer e um tempo para morrer, um tempo para plantar e um tempo para arrancar o que se plantou; um tempo para matar e um tempo para curar, um tempo para destruir e um tempo para edificar...» Dir-se-ia que estas frases do Eclesiastes cantam e, de facto, o músico Pete Seeger compôs uma canção, inspirada nelas - Turn! Turn! Turn! (To everything there is a season) que chegou ao topo das listas de êxitos em 1965. Na origem da poesia, o prazer do ritmo foi posto ao serviço da continuidade cultural.»
Irene Vallejo, O Infinito num junco
segunda-feira, 12 de abril de 2021
O Outro filho (irmão do pródigo)
Erguem-se os ventos e contra mim se assanham
quinta-feira, 1 de abril de 2021
quarta-feira, 31 de março de 2021
Pontos fundamentais a sublinhar: a afinidade (aqui sob a forma do parentesco entre obra de arte e problema filosófico) é o conceito-chave da categoria da relação em Benjamin. O problema filosófico surpreende-se como possibilidade de formulação do teor de verdade da obra, que terá de ser desenterrado. Com frequência, a crítica - aqui claramente equiparada à filosofia - é comparada a um acto de desenterrar, de escavar na terra. O crítico é assim como um mineiro ou um descobridor de tesouros. Diante da obra, a pessoa que tem um segredo que não confessará pela violência,, exige-se paciência, perseverança e reverência. Daí a verdade ser reconhecível e não questionável, pois pertence à ordem do mistério. Esta é uma ideia que Benjamin nunca põe de lado: a verdade não é um objecto de questionação, é uma exigência. Guardemos o reenvio do belo ao verdadeiro para mais tarde. Sublinhe-se desde já a confiança de Benjamin em relação à legitimidade de continuar a falar do vínculo entre beleza e verdade, sempre que se trata de pensar o que é a filosofia.
O Químico e o alquimista - Benjamin, Leitor de Baudelaire
O professor, pelo menos desde o Ménon platónico, não é, em primeiro lugar, alguém que sabe ensinar quem não sabe. É antes alguém que tenta recriar o objeto de estudo na mente do estudante, utilizando uma estratégia que permita, antes de qualquer outra coisa, que o estudante reconheça o que potencialmente já sabe, o que implica desmontar as forças que reprimem a sua mente e o impedem de saber aquilo que sabe. É por isso que cabe ao professor, e não ao aluno, fazer a maior parte das perguntas.
O Código dos códigos, Northrop Frye
sábado, 16 de janeiro de 2021
Silêncio
Quando Luísa lhe disse que lhe ligava quando tivesse alguma coisa para lhe dizer, João compreendeu que o mundo tinha mudado, pelo menos o seu mundo. Antes, não era preciso dizer nada, bastava o brilho que em ambos se cruzava proveniente das esperanças que acalentavam e na satisfação que sentiam pelo simples facto que estarem juntos. Isso aconteceu antes, quando ainda não se tinha a noção da dimensão do buraco para onde a pandemia os estava a levar. Desde março que tudo mudou, a princípio ainda havia a expetativa de que a vida voltaria ao normal num horizonte aceitável, se se pode assim dizer. Contudo, o tempo foi passando e, com ele, não foi apenas a manutenção do estado das coisas, mas também a acentuação de um afastamento. Com o tempo, as pessoas passaram a viver para dentro, a fechar-se em casulos repletos de receios, hesitações, medos. O fechamento de cada um para dentro de si próprio, começou por se revelar nas relações com os mais próximos, para, aos poucos, começar a fazer estrada e a conduzir muitas pessoas por caminhos até então desconhecidos. Fechadas nos seus casulos, as pessoas, porque alheias ao mundo exterior, porque o passaram, entretanto, a ver como uma ameaça, adquiriram um espírito de medo em relação ao outro, ao seu semelhante, como se não estivéssemos todos na mesma situação. O outro, aos poucos, passou a ser, ele próprio, a raiz da ameaça e, então, deu-se um fenómeno inquietante. Considerando-se perseguidas por uma ameaça invisível, muitas pessoas começaram a reagir de maneira epidérmica, levadas por uma irritação incontrolável, que procuravam tratar como quem tem uma borbulha e a coça constantemente. O resultado foi o esperado, a borbulha infetou. O pus resultante da infeção, rapidamente começou a alastrar e, gradualmente, contagiadas, as pessoas começaram a reagir como se o mal que sobre todos caiu tivesse sido causado pela primeira pessoa que lhes aparecia à frente. Um mundo com tais contornos é um mundo doente.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2021
Ruído
À superfície existe um ruído, nascido de um murmúrio, insistente. Com a sua continuidade, o murmúrio deu lugar a este ruído bruto, insone. Um ruído provocado pela insatisfação e pelo ressentimento. Durante a minha vida, procurei sempre combater o ressentimento e as suas origens, em virtude de tudo aquilo que por detrás dele se esconde.O ressentimento é a ferramenta de que a frustração se serve para se manifestar. Nem sempre estive desperto para a dimensão da poesia de Ricardo Reis, mas, com o tempo, fui-me apercebendo de que a paz que nele se observa, advinda da sua capacidade para se colocar à margem do ruído desnecessário, bem como da inexistência de expetativas, é um meio para se alcançar uma salvação de características particulares. Com efeito, a ausência de expetativas não é necessariamente a manifestação de um procedimento em perda permanente, mas, em grande medida, o espelho de uma compreensão particular do mundo que remete para a ideia de que a humanidade é o que é e que em relação a ela não devemos criar a ilusão de que se venha a manifestar num modo virtuoso. Eu sou um cristão desnaturado, daqueles que trazem consigo a marca mais elevada da experiência manifestada, através do exemplo de Cristo. O perdão é a chave para uma vida virtuosa, pois é o perdão que é capaz de fazer nascer em cada dia, através de um coração limpo do pó da estrada, a esperança redentora da fraternidade.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2019
Il Padre che manca alla nostra società
L' AFFIEVOLIMENTO e poi la scomparsa della figura paterna hanno molte cause; le più evidenti sono di natura economica ma non sono le sole e neppure le più essenziali. Alla base di questa vera e propria rivoluzione istituzionale c' è da un lato l' emancipazione della donna, dall' altro la perdita della trascendenza, due elementi fondanti della modernità e della laicizzazione. Da questo punto di vista la scomparsa del padre sarebbe un fatto positivo e non reversibile, almeno nelle sue forme arcaiche basate sul comando e sull' autorità esercitata per diritto divino. Eppure una società non può vivere senza modelli che le consentano di rispecchiarsi e di conservare memoria di sé. Il disagio che ha pervaso la società occidentale e in particolare quella della seconda metà di questo nostro secolo deriva appunto dall' assenza di rispecchiamento e di memoria. La stessa decadenza delle classi dirigenti ha la sua causa nel deperimento dei modelli paterni. Non a caso venivano chiamati "padri fondatori" coloro che stabilivano le regole della convivenza sociale e politica. Venuti meno quei modelli, la società ha perso la capacità di darsi regole condivise; si parla di continuo della loro necessità, ma nessuno è più in grado di produrle poiché a nessuno viene riconosciuta un' autorità fondativa che superi gli interessi settoriali e s' imponga in nome dell' interesse generale. Una società senza padri è dunque destinata a una continua e progressiva parcellizzazione che ne paralizza il funzionamento e rende impossibile la produzione di regole democraticamente accettate. Gli individui non sono in grado di uscire da questa disagiata condizione che, esaltando gli interessi settoriali e gli egoismi di gruppo, si allontana sempre di più dalla "auctoritas" produttrice di norme generali; ma il malessere cresce ed è comunemente avvertito. Sicché, proprio nella fase in cui la figura paterna ha ceduto il campo, risorge il bisogno di recuperare almeno alcune delle funzioni a essa affidate; anzitutto quella di indicare le regole basilari del comportamento, di amministrare la giustizia sulla base di quelle regole, di praticare la "caritas" e la "pietas", due attributi tipici della figura paterna e dell' autorità fondativa. Ma soprattutto la nostalgia del padre è motivata dal bisogno di sicurezza psicologica che egli diffonde. Senza di lui il mondo diventa insicuro per i figli orfani e non preparati a surrogarlo. E questa è diventata infatti la società di fine millennio malgrado le sue mirabili acquisizioni tecnologiche: un luogo insicuro, labile, inutilmente motorio, privo di credenze ma ingombro di superstizioni. * * * Ovviamente non si nasce padri; lo si diventa col vivere e attraverso il vivere. Lo si diventa quando si riesce a comprendere l' Altro superando le ristrettezze nelle quali l' Io inevitabilmente ci racchiude. I figli sono fisiologicamente i portatori dell' Io; i padri, quelli veri, superano quella costruzione difensiva e vivono per i figli, costruendo le condizioni del loro futuro. è superfluo avvertire che, in un tempo come il nostro che ha vissuto nell' emancipazione della donna la sua più grande rivoluzione, la funzione paternale non è legata al sesso. Ci sono state e sempre più ci saranno donne in grado come e più degli uomini di darsi carico dell' altrui. In realtà la donna si è sempre data carico dell' altrui molto più dell' uomo, ma questo avveniva nella sfera del privato. Proprio per il fatto di esser stata confinata in quella sfera da una società governata dagli uomini, il darsi carico da parte della donna difficilmente poteva uscire dall' ambito familiare con la conseguenza di una ipertrofia dei figli che canalizzava quasi interamente le risorse affettive delle madri. Questo limite tende ora non già a scomparire ma ad allargarsi. Le capacità affettive della donna costituiscono non a caso una delle risorse essenziali della carità volontaria che sta diventando uno dei fenomeni più rilevanti e più positivi della società moderna e del moderno umanesimo. Ecco perché la "auctoritas" paterna, con il suo corredo di giustizia, comprensione, regole condivise, carità e "pietas" non sarà appannaggio soltanto maschile in un mondo dove i limiti del sesso sono stati infine dissolti in una più ampia concezione della "humanitas". * * * Il nostro Parlamento dovrà eleggere tra sei mesi un nuovo presidente della Repubblica, la persona cioè che ha il compito di rappresentare la nazione. Nessuno ignora quanto questa carica sia ambita per i poteri che contiene e per l' immagine che conferisce. E nessuno ignora che attorno a essa si accenderanno contrasti e vivaci ambizioni. Il Parlamento tuttavia tenga presente che il presidente d' una repubblica dev' essere soprattutto e preliminarmente un "pater patriae". Si può discutere se debba provenire dalla sinistra o dalla destra, dalla cultura cattolica o da quella laica e se debba essere uomo o donna. Ma su un punto non si deve - non si dovrebbe - discutere: il Presidente deve incarnare quella figura paterna che rassicuri la comunità e la indirizzi a superare gli egoismi del presente in nome dell' altruismo del futuro. Il laico Benedetto Croce invocò, all' inizio dei lavori della Costituente, il "Veni Creator Spiritus". Quella stessa invocazione sia tenuta a mente dai nostri parlamentari quando sceglieranno la persona che dovrà rappresentare e traghettare il paese nel suo ingresso nel nuovo secolo.
di EUGENIO SCALFARI (La Repubblica, 28/12/1998)