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Oeiras, Portugal
Aluno e Professor. Sempre aluno.

domingo, 7 de outubro de 2012

«Em alto mar, quando se encontra o Holandês Voador e sobrevém o inevitável naufrágio, manda a tradição que o marinheiro, para se salvar, se agarre à figura de proa. Eurídice não se vira, ondeia nas águas em tempestade olhando atónita e provocatória para o vazio do céu, do mar, não para Orfeu agarrado às suas saias. Quantas Eurídices, no meio de figuras de proa. O seio aflora e desaparece no peplo e no escuro; o fundo escuro das águas espera por eles. Eu, agarrando-me a ela, salvei-me. Queria levá-la comigo para casa, como tantos outros marinheiros fizeram, talvez até colocá-la sobre o meu sepulcro, apesar de os sacerdotes resmungarem e porem entraves, por não quererem em terra sagrada aquelas mulheres seminuas. O mar arrastou para a costa tantas figuras de proa, mas não Maria. Aliás, arrastou-a também a ela, mas depois de uma longuíssima viagem por todos os oceanos, até ao outro cabo do mundo, até aqui abaixo, doutor, uma viagem que corrói e desgasta dia após dia e onde se chega desfeito.»

Claudio Magris, Às Cegas

sábado, 6 de outubro de 2012

Dum Dum Girls - Bedroom Eyes (Live on KEXP)

Magnânimo

«É próprio do magnânimo não pedir ajuda a ninguém ou então só a custo, mas estar sempre pronto para ajudar; ser grandioso junto dos que têm uma posição de poder e daqueles que têm sucesso, mas ser moderado junto dos que estão numa posição média, porque é difícil, mas dá uma grande satisfação, ser superior aos primeiros mas não dá uma grande satisfação ser-se superior aos segundos, porque é fácil. Exaltar-se junto dos que nos são superiores não é ignóbil, mas fazê-lo junto dos humildes é mesquinho, tal como se os fortes quisessem medir forças com os que são muito fracos. O magnânimo não procura ocupar os lugares de honra habitualmente cobiçados. Não é muito activo, é até lento a agir, a não ser quando se trata de uma grande honra ou de um grande feito. E entra em acção em poucas situações, e só quando se trata de grandes obras e de nomeada. É necessário também que o magnânimo seja transparente tanto em questões de ódio como em questões de amor (porque procurar esconder-se revela medo e uma despreocupação com a verdade maior do que com a fama); que fale e aja abertamente (é franco, fala sinceramente porque despreza as consequências da sua franqueza, e é sincero excepto quando usa ironia relativamente aos outros). Ele é incapaz de viver a sua vida seguindo um outro qualquer, a não ser orientado por um amigo. Uma tal conduta seria subserviente e assim todos os bajuladores são servis e todos os inferiores são bajuladores. Não se deixa arrebatar facilmente porque nada tem facilmente uma grande importância para ele. Demais, não guarda ressentimento. Pois, não é próprio do magnânimo recordar-se das coisas, sobretudo se são especialmente más, mas antes ultrapassá-las. Demais, não entra em coscuvilhices acerca de terceiros. Porque não falará de outrem como não fala de si. Nem sequer lhe interessa ser elogiado ou que os outros sejam criticados. Não elogia facilmente, mas também não diz dos outros, nem sequer dos seus inimigos, a não ser que tenham cometido alguma insolência. Queixa-se o menos possível e não pede que se interceda em seu favor tanto em situações de pouca monta quanto em situações de grande aflição. Comportar-se desse modo era levar as coisas demasiadamente a sério. É mais capaz de possuir coisas belas e inúteis do que úteis e vantajosas. Aquelas revelam uma disposição de carácter mais independente. Distinguem ainda o magnânimo o modo de andar lento, a voz grave, a dicção estável. Quem se preocupa apenas com poucas coisas não ficará facilmente sob pressão, e quem não faz grande caso de coisa nenhuma não terá nenhuma tensão. Tal é o magnânimo, porque uma voz aguda e os movimentos apressados resultam de uma grande pressão que se faz sentir.»

Aristóteles, Ética a Nicómaco (1124b20 - 1125a15)  

Grizzly Bear "Yet Again" Live on Soundcheck in The Greene Space

Soleil et Chair (III)

«Si les temps revenaient, les temps qui sont venus!
- Car l'Homme a fini! l'Homme a joué tous les rôles!
Au grand jour, fatigué de briser des idoles,
Il ressuscitera, libre de tous ses Dieux,
Et, comme il est du ciel, il scrutera les cieux!
L'Idéal, la pensée invincible, éternelle,
Tout le dieu qui vit, sous son argile charnelle,
Montera, montera, brûlera sous son front!
Et quand tu le verras sonder tout l'horizon,
Contempteur des vieux jougs, libre de toute crainte,
Tu viendras lui donner la Rédemption sainte!
- Splendide, radieuse, au sein des grandes mers
Tu surgiras, jetant sur le vaste Univers
L'Amour infini dans un infini sourire!
Le Monde vibrera comme une immense lyre
Dans le frémissement d'un immense baiser

- Le Monde a soif d'amour: tu viendras l'apaiser.»

Rimbaud


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Bat For Lashes - Daniel

Imagem

«A imagem é um ser cuja essência é ser uma espécie, uma visibilidade ou uma aparência. Especial é o ser cuja essência coincide com o seu dar-se a ver, com a sua espécie.
O ser especial é absolutamente insubstancial. Não tem lugar próprio, mas acontece a um sujeito e está neste como um habitus ou um modo de estar, como a imagem está no espelho.
A espécie de cada coisa é a sua visibilidade, isto é, a sua pura inteligibilidade. Especial é o ser que coincide com o seu tornar-se visível, com a sua revelação.
O espelho é o lugar onde descobrimos que temos uma imagem e, ao mesmo tempo, que essa imagem pode ser separada de nós, que a nossa "espécie", ou imago, não nos pertence. Entre a percepção da imagem e o reconhecermo-nos nela medeia um intervalo, a que os poetas medievais chamavam amor. O espelho de Narciso é, neste sentido, a fonte do amor, a experiência inaudita e feroz de que a imagem é, e não é, a nossa imagem.
Abolindo o intervalo, se nos reconhecermos como não sendo - nem que seja por um instante - desconhecidos e amados na imagem, isso significa que já não podemos amar, acreditar que somos donos da própria espécie, coincidir com esta. Se se prolongar, indefinidamente, o intervalo entre a percepção e o reconhecimento, a imagem é interiorizada como fantasma e o amor cai na psicologia.»

Giorgio Agamben, Profanações

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Pat Metheny Group - We live here, live in japan 1995 (full dvd)

Heterodoxia

«O velho mito germânico de Migdar, a serpente que morde em círculo a própria cauda, é um símbolo de sugestões perpétuas. Podemos ver nele uma imagem da vida como um todo que solicitou, no seu seio, a necessidade mesma da morte. Ou um desenho exacto da cadeia inelutável que conserva, unidas desde o interior, a sucessão temporal das coisas e dos pensamentos. Ou a dialéctica viva suscitadora simultaneamente do bem e do mal, do senhor e do servo, um ao outro unidos como o corpo à sombra. E também pode figurar como parábola permanente duma condição terrestre onde a honestidade é honesta pela desonestidade dos desonestos e o vício vicioso pela virtude dos virtuosos. E finalmente, pode ser uma descrição precisa do mundo das palavras, universo sonoro que vive do silêncio donde emerge ou das palavras contrárias que repudia.
Tudo isso é Migdar e o reconhecimento de Migdar, como essência da realidade, chama-se Heterodoxia. Ou, traduzindo o mito, heterodoxia é a convicção de que o real não é apenas a cabeça mordendo sem hesitações, nem a cauda devorada sem resistência, mas o inteiro movimento de morder e ser mordido, a paixão circular da vida por si mesma. O movimento da cabeça, devorando com a certeza de existir um só caminho, pode receber o nome de Ortodoxia, assim como a convicção inversa da não existir caminho algum pode designar-se por Niilismo.
Fiel ao símbolo que a representa e à vida que nele se manifesta, a heterodoxia não é o contrário de ortodoxia, nem de niilismo, mas o movimento constante de os pensar a ambos. É o humilde propósito de não aceitar um só caminho pelo simples facto de ele se apresentar a si próprio como único caminho, nem de os recusar a todos só pelo motivo de não sabermos em absoluto qual deles é, na realidade, o melhor de todos os caminhos.
O primeiro que convém saber é que a heterodoxia não é fácil. Serviço divino a pouco cometido, paga-o a moeda que os deuses amam: a amargura e a solidão. Obedientes a um único mandamento, o de não recusar para as trevas aquilo que se vê na luz, essa exigência dá ao rosto dos heterodoxos uma aparência inequívoca de dureza. Porque o Senhor é um só e os amigos, a mulher, o pai e a mãe não lhe guardam fidelidade, o heterodoxo não pode fazer outra coisa que declarar que "pai e mãe e amigos" são os que servem o deus e não aqueles que o mundo aponta segundo a carne. Mas trocar os amigos, o pai e a mãe, pela loucura invisível da Verdade, é ofender o mais originário dos mandamentos, o grito mais veemente da claridade animal e por isso o preço da ofensa é pago em amargura e solidão. E na boca daqueles cujo espírito é paz e cujo coração está cheio de uma piedade comovida pelo destino de cada homem, o deus da heterodoxia põe a palavra "guerra". Porque a paz do mundo é a negação do homem, os que amam o homem, a ponto de se consumir nessa talvez inútil paixão, declaram que vêm trazer a guerra.»

Eduardo Lourenço, Heterodoxias

terça-feira, 2 de outubro de 2012

THE ROLLING STONES TIME IS ON MY SIDE OFFICIAL PROMO VIDEO (VERSION 2)

Piedras y Chile

Por aquí habré pasado tantas veces,
No puedo recordarlas. Más lejana
que el Ganges me parece la mañana
o la tarde en que fueron. Los reveses
de la suerte no cuentan. Ya son parte
de esa dócil arcilla, mi pasado,
que borra el tiempo o que maneja el arte
y que ningún augur ha descifrado.
Tal vez en la tiniebla hubo una espada,
acaso hubo una rosa. Entretejidas
sombras las guardan hoy en sus guaridas.
Sólo me queda la ceniza. Nada.
Absuelto de las máscaras que he sido,
seré en la muerte mi total olvido.

Jorge Luis Borges, Los Conjurados

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Beethoven Concerto No. 3 Mvt. 1 - Artur Rubinstein (1of2)

Le Orecchie Malate di Beethoven

Fra il diciottesimo e il diciannovesimo secolo viveva a Vienna un musicista di nome Beethoven. Il popolo lo canzonava perché era un tipo stravagante, basso di statura e con una buffa testa. I borghesi si scandalizzavano per le sue composizioni. «Però,» dicevano «peccato, quest'uomo ha le orecchie malate. La sua mente concepisce dissonanze spaventose. Tuttavia, poiché egli afferma trattarsi di sublimi armonie e tenuto conto del fatto facilmente dimostrabile che le nostre orecchie sono sane, vuol dire che le sue orecchie sono malate. Peccato davvero!».
I nobili invece, i quali grazie ai diritti che il mondo aveva loro conferito riconoscevano anche gli obblighi che dovevano rispettare nei confronti di esso, egli diedero il denaro necessario perché potesse comporre le sue opere. I nobili avevano anche la facoltà di far eseguire un'opera di Beethoven all'Opera imperiale. Ma i borghesi che gremivano il teatro decretarono un tale insuccesso al lavoro che non si ebbe più il coraggio di organizzare una replica.
Da allora sono trascorsi ormai cent'anni e i borghesi ascoltano con commozione le opere del musicista ammalato, pazzo. Sono forse divenuti nobili, come quei nobili del 1819, e hanno forse maturato un sentimento di rispetto per la volontà del genio? No, si sono ammalati tutti.Tutti adesso hanno le orecchie malate di Beethoven. Per un intero secolo le dissonanze del divino Beethoven hanno tormentato le loro orecchie. E le orecchie non hanno resistito. Tutti i particolari anatomici, tutti gli ossicini, i labirinti, i timpani e le trombe hanno assunto le forme malate caratteristiche dell'orecchio di Beethoven. E quel volto buffo, che i monelli rincorrevano canzonandolo, è divenuto per il popolo il volto spirituale del mondo.
È lo spirito che si costruisce il proprio corpo.

Adolf Loos, Parole nel vuoto (1913)

domingo, 30 de setembro de 2012

Luca Carboni - LIVE (All Music Bi Live, 18 dicembre 2006, 01) - La Mia Città

O verão deixa-me os olhos mais lentos sobre os livros

O verão deixa-me os olhos mais lentos sobre os livros.
As tardes vão-se repetindo no terraço, onde as palavras
são pequenos lugares de memória. Estou divorciada dos
outros pelo tempo destas entrelinhas - longe de casa,
tenho sonhos que não conto a ninguém, viro devagar

a primeira página: em fevereiro, eles ainda faziam amor
à sexta-feira. De manhã, ela torrava pão e espremia
laranjas numa cozinha fria. Havia mais toalhas para lavar
ao domingo, cabelos curtos colados teimosamente ao espelho.
Às vezes, chovia e ambos liam o jornal, dentro do carro,
antes de se despedirem. Às vezes, repartiam sofregamente
a infância, postais antigos, o silêncio - nada

aconteceu entretanto. Regresso, pois, à primeira linha,
à verdade que remexe entre as minhas mãos. Talvez os olhos
estivessem apenas desatentos sobre o livro; talvez as histórias
se repitam mesmo, como as tardes passadas no terraço, longe
de casa. Aqui tenho sonhos que não conto a ninguém.

Maria do Rosário Pedreira, A Casa e o cheiro dos livros 

The xx - Angels

Les Monuments

«Les monuments, la mer, la face humaine, dans leur plénitude, natifs, conservant une vertu autrement attrayante que ne les voilera une description, évocation dites, allusion je sais, suggestion: cette terminologie quelque peu de hasard atteste la tendance, une très décisive, peut-être, qu'ait subie l'art littéraire, elle le borne et l'exempte. Son sortilège, à lui, si ce n'est libérer, hors d'une poignée de poussière ou réalité sans l'enclore, au livre, même comme text, la dispersion volatile soit l'esprit, qui n'a que faire de rien outre la musicalité de tout.»

Stéphane Mallarmé, Crise de vers

sábado, 29 de setembro de 2012

Tori Amos — Winter (Live At Montreux 1992)

Démocratie

«Le drapeau va au paysage immonde, et notre patois étouffe le tambour.
«Aux centres nous alimenterons la plus cynique prostitution. Nous massacrerons les révoltes logiques.
«Aux pays poivrés et détrempés! - au service des plus monstrueuses exploitations industrielles ou militaires.
«Au revoir ici, n'importe où. Conscrits du bon vouloir, nous aurons la philosophie féroce; ignorants pour la science, roués pour le confort; la crevaison pour le monde qui va. C'est la vraie marche. En avant, route!»

Jean-Arthur Rimbaud, Illuminations

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

The Doors Break on Through Live at "Toronto Rock&Roll Revival" (Varsity Stadium) 1969

Beladona

Talvez só eu a veja como a flor
da volúpia e do prazer
capaz de anular de um só instante
o ressentimento dos tímidos e a
inexperiência dos muito novos.
Não sei se é assim a beladona,
na revelação da rosa e do branco
quando em setembro ergue da terra
baixa o calor doce da sua haste.
No fim do verão surge a beladona,
conquistador de um tempo de mar
vagas de um sentimento sem fim e
a frágil cor obedece a um impulso
estranho e viril.
Quem diria a beladona carregada
de um tempo ferido por um per-
verso e brusco desejo?
Acaricia junto ao seio a paciente
tépida noite do outono e o caule
abre o juvenil rosa desarmado
do verão, mas não esquecido
do branco polén, o seu veneno.

João Miguel Fernandes Jorge, Terra Nostra

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Everything but the Girl - Night and Day

As Coisas que se Afirmam de Deus não Diferem Realmente

«Por conseguinte, importa que consideres que todas as coisas que se afirmam de Deus não podem, devido à suprema simplicidade de Deus, diferir realmente, ainda que, por razões diferentes, atribuamos a Deus nomes sempre diferentes. Deus, porém, na medida em que é a razão absoluta de todas as razões formáveis, complica em si as razões de tudo. Por isso, ainda que atribuamos a Deus vista, ouvido, gosto, odor, tacto, sentido, razão, intelecto e outras coisas semelhantes segundo razões sempre diferentes, próprias do significado de cada um destes vocábulos, todavia nele o acto de ver não é diferente do acto de ouvir, de gostar de cheirar, de tocar, de sentir e de compreender. E assim se diz que toda a teologia tem uma natureza circular, dado que um dos atributos se afirma de outro. E o ter de Deus é o seu ser; o seu mover-se é o seu estar; o correr, o descansar; e o mesmo [se diga] dos restantes atributos. Assim, ainda que nós lhe atribuamos por uma razão o mover-se e por outra o estar, todavia, porque ele é a razão absoluta na qual toda a alteridade é unidade e toda a diversidade identidade, então, a diversidade das razões, segundo o que nós concebemos como diversidade, e que não é a própria identidade, não pode existir em Deus.»

Nicolau de Cusa, A Visão de Deus

domingo, 2 de setembro de 2012

Eugen Jochum/Bruckner Symphony No. 7 1st mov't 1/2

There was a Boy

There was a Boy; ye knew him well, ye cliffs
And islands of Winander! - many a time,
At evening, when the earliest stars began
To move along the edges of the hills,
Rising or setting, would he stand alone,
Beneath the trees, or by the glimmering lake;
And there, with fingers interwoven, both hands
Pressed closely palm to palm ando to his mouth
Uplifted, he, as through an instrument,
Blew mimic hootings to the silent owls,
That they might answer him. - And they would shout
Across the watery vale, and shout again,
Responsive to his call, - with quivering peals,
And long halloos, and screams, and echoes loud
Redoubled and redoubled; concourse wild
Of jocund din! And, when there came a pause
Of silence such as baffled his best skill:
Then, sometimes, in that silence, while he hung
Listening, a gentle shock of mild surprise
Has carried far into his heart the voice
Of mountain-torrents; or the visible scene
Would enter unawares into his mind
With all its solemn imagery, its rocks,
Its woods, and that uncertain heaven received
Into the bosom of the steady lake.
   This boy was taken from hia mates, and died
In childhood, ere he was full twelve years old.
Pre - eminent in beauty is the vale
Where he was born and bred: the churchyard hangs
Upon a slope above the village-school;
And, through that church-yard when my way has led
On summer-evenings, I believe, that there
A long half-hour together I have stood
Mute - looking at the grave in which he lies!

William Wordsworth (1799)