Io credo nelle persone, però non credo nella maggioranza delle persone. Anche in una società più decente di questa, mi sa che mi troverò a mio agio e d'accordo sempre con una minoranza. (Nanni Moreti)
Acerca de mim
sábado, 3 de dezembro de 2011
11. O Tempo não pode medir a eternidade
«Quem afirma tais coisas, ó «Sabedoria de Deus». Luz das inteligências - ainda não compreendeu como se realiza o que se faz por Vós e em Vós. Esforça-se por saborear as coisas eternas, mas o seu pensamento ainda volita ao redor das ideias, ideias da sucessão dos tempos passados e futuros, e, por isso, tudo o que excogita em vão.
A esse quem o poderá prender e fixar para que pare um momento e arrebate um pouco do esplendor da eternidade perpetuamente imutável, para que veja como a eternidade é incomparável, se a confronta com o tempo que nunca pára? Compreenderá então que a duração do tempo não será longa, se não se compuser de muitos movimentos passageiros. Ora estes não podem alongar-se simultaneamente.
Na eternidade, ao contrário, nada passa, tudo é presente, ao passo que o tempo nunca é todo presente. Esse tal, verá que o passado é impelido pelo futuro e que todo o futuro está precedido dum passado, e todo o passado e futuro são criados e dimanam d'Aquele que sempre é presente. Quem poderá prender o coração do homem, para que pare e veja como a eternidade imóvel determina o futuro e o passado, não sendo nem passado nem futuro? Poderá, porventura, a minha mão que escreve, explicar isto? Poderá a actividade da minha língua conseguir pela palavra realizar empresa tão grandiosa?»
A esse quem o poderá prender e fixar para que pare um momento e arrebate um pouco do esplendor da eternidade perpetuamente imutável, para que veja como a eternidade é incomparável, se a confronta com o tempo que nunca pára? Compreenderá então que a duração do tempo não será longa, se não se compuser de muitos movimentos passageiros. Ora estes não podem alongar-se simultaneamente.
Na eternidade, ao contrário, nada passa, tudo é presente, ao passo que o tempo nunca é todo presente. Esse tal, verá que o passado é impelido pelo futuro e que todo o futuro está precedido dum passado, e todo o passado e futuro são criados e dimanam d'Aquele que sempre é presente. Quem poderá prender o coração do homem, para que pare e veja como a eternidade imóvel determina o futuro e o passado, não sendo nem passado nem futuro? Poderá, porventura, a minha mão que escreve, explicar isto? Poderá a actividade da minha língua conseguir pela palavra realizar empresa tão grandiosa?»
Santo Agostinho, Confissões
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Niilismo
«A era de Nietzsche - «uma vez que o velho Deus abdicou, governarei o mundo doravante» -, a era do niilismo, manifestou-se muito antes do que ele ousara suspeitar. Catorze anos depois da sua morte iniciou-se a Primeira Guerra Mundial. Depois a Europa ficou nas garras do fascismo, do comunismo e nazismo. E sofreu outra guerra. Uma orgia de violência triunfou sobre a verdade, a bondade e a beleza. O ideal de civilização foi desprezado. Dezenas de milhões de pessoas aplaudiram, admiraram e apoiaram a violência. Dezenas de milhões de vidas foram aniquiladas. O niilismo acaba sempre, inevitavelmente, em violência e aniquilação.
O niilismo começa sempre - a lúcida análise de Nietzsche não deixa margem para qualquer equívoco neste aspeto - por roubar à existência humana a possibilidade de elevar o ser acima da sua natureza animal. Este roubo da eternidade como do espírito dota a humanidade com a nobreza que permite a cada pessoa ser a imagem de valores universais e intemporais. Com este roubo começa a «reavaliação de todos os valores» assim como a distorção de todo o significado que Sócrates previu. A liberdade - difícil e trágica liberdade - já não é mais o espaço de que o indivíduo necessita para praticar a aquisição da dignidade humana; é antes a perda dessa dignidade a favor da idolatria do ideal animal: tudo é permitido. O significado é desconhecido, o sentimento é substituído pelo objetivo. Experiências «divertidas» e «saborosas» substituem o conhecimento do bem e do mal. Porque o eterno não existe, tudo tem de ser agora, novo e rápido. ninguém pode ser mais sábio, portanto todos têm razão. Todos são o mesmo, portanto o que é difícil é antidemocrático. A arte transforma-se em entretenimento, e a fama das coisas ou das gentes é importante. A declaração de Gracian de que o peso material determina o valor do ouro mas o peso moral determina o valor humano é posta às avessas. A moral? A cada um a sua moral! A matéria reina e, em todos os pequenos deuses que se pavoneiam, o ouro é a divindade suprema. O que é bom para o ouro é bom para ti. Portanto, comercializa-te! Adapta-te! Tudo o que te tornar mais rico é útil, e o que, ou quem, não for divertido, não for delicioso, é de facto inútil, pode desaparecer. Toda a gente por si, e ninguém por todos nós.
É este niilismo da sociedade de massas que, como um cancro, ataca a civilização, o tecido conectivo da ordem social, e o destrói. O que resta sem esse tecido é uma quantidade ilimitada de indivíduos separados que no fim procuram destruir-se uns aos outros porque já não estão unidos por um valor universal mas seduzidos pela ideia de «eu sou livre, portanto tudo é permitido». Resta-nos saber em que medida a sociedade ocidental está invadida por este niilismo. A questão mais importante é: de onde veio este niilismo?»
O niilismo começa sempre - a lúcida análise de Nietzsche não deixa margem para qualquer equívoco neste aspeto - por roubar à existência humana a possibilidade de elevar o ser acima da sua natureza animal. Este roubo da eternidade como do espírito dota a humanidade com a nobreza que permite a cada pessoa ser a imagem de valores universais e intemporais. Com este roubo começa a «reavaliação de todos os valores» assim como a distorção de todo o significado que Sócrates previu. A liberdade - difícil e trágica liberdade - já não é mais o espaço de que o indivíduo necessita para praticar a aquisição da dignidade humana; é antes a perda dessa dignidade a favor da idolatria do ideal animal: tudo é permitido. O significado é desconhecido, o sentimento é substituído pelo objetivo. Experiências «divertidas» e «saborosas» substituem o conhecimento do bem e do mal. Porque o eterno não existe, tudo tem de ser agora, novo e rápido. ninguém pode ser mais sábio, portanto todos têm razão. Todos são o mesmo, portanto o que é difícil é antidemocrático. A arte transforma-se em entretenimento, e a fama das coisas ou das gentes é importante. A declaração de Gracian de que o peso material determina o valor do ouro mas o peso moral determina o valor humano é posta às avessas. A moral? A cada um a sua moral! A matéria reina e, em todos os pequenos deuses que se pavoneiam, o ouro é a divindade suprema. O que é bom para o ouro é bom para ti. Portanto, comercializa-te! Adapta-te! Tudo o que te tornar mais rico é útil, e o que, ou quem, não for divertido, não for delicioso, é de facto inútil, pode desaparecer. Toda a gente por si, e ninguém por todos nós.
É este niilismo da sociedade de massas que, como um cancro, ataca a civilização, o tecido conectivo da ordem social, e o destrói. O que resta sem esse tecido é uma quantidade ilimitada de indivíduos separados que no fim procuram destruir-se uns aos outros porque já não estão unidos por um valor universal mas seduzidos pela ideia de «eu sou livre, portanto tudo é permitido». Resta-nos saber em que medida a sociedade ocidental está invadida por este niilismo. A questão mais importante é: de onde veio este niilismo?»
Rob Riemen
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Fatalismo Russo
«Ausência de ressentimento, lucidez sobre a natureza do ressentimento, - quem sabe se as não devo também à minha grande doença! O problema não é simples: supõe uma experiência, experiência conseguida a partir da força e também a partir da fraqueza. Se alguma coisa podemos objectar ao estado de doença, é que o verdadeiro instinto de cura enfraquece e, no homem, tal instinto é um autêntico instinto de defesa. Não chegamos a desembaraçar-nos de nada; de nada nos libertamos. Tudo nos fere. Homens e coisas surgem em proximidade indiscreta; tudo quanto nos acontece deixa marcas profundas, a recordação é uma ferida purulenta.
Estar doente é propriamente uma forma de ressentimento. Contra tudo isto há um grande remédio, e um só, e eu chamo-lhe o «fatalismo russo», esse fatalismo sem revolta de que está impregnado o soldado russo que, depois de queixar-se da dureza da campanha, acaba por deitar-se em plena neve. Não tomar mais remédios, renunciar a absorver seja o que for, não reagir em caso algum... A grande razão deste fatalismo, que não é sempre, e só, valentia perante a morte, deste fatalismo conservador da vida na sua contingência mais perigosa, é o abaixamento das funções do metabolismo, o seu retardamento, uma espécie de desejo do sono hibernal. Alguns passos mais nesta lógica e ter-se-á o faquir que dorme semanas num esquife.»
Estar doente é propriamente uma forma de ressentimento. Contra tudo isto há um grande remédio, e um só, e eu chamo-lhe o «fatalismo russo», esse fatalismo sem revolta de que está impregnado o soldado russo que, depois de queixar-se da dureza da campanha, acaba por deitar-se em plena neve. Não tomar mais remédios, renunciar a absorver seja o que for, não reagir em caso algum... A grande razão deste fatalismo, que não é sempre, e só, valentia perante a morte, deste fatalismo conservador da vida na sua contingência mais perigosa, é o abaixamento das funções do metabolismo, o seu retardamento, uma espécie de desejo do sono hibernal. Alguns passos mais nesta lógica e ter-se-á o faquir que dorme semanas num esquife.»
Friedrich Nietzsche, Ecce Homo
domingo, 27 de novembro de 2011
Snazionalizzare la Storia
«Anche qui un'esigenza che si è andata affacciando e attuando nella storiografia e nella sua metodologia dà la mano a un'esigenza morale e politica dei nostri tempi. Snazionalizzare la storia: diciamo la storia che sia veramente tale, la storia che è critica e che è scienza o, meglio, filosofia.
Quel nazionalizzamento ebbe le sue origini nel carattere epico serbatosi nella prima età della storiografia, e in quello oratorio e tendenzioso in servigio degli interessi politici dei singoli popoli e stati. Vi s'introdusse poi una cattiva filosofia che costruì il concetto dell'esprit des peuples o esprit des nations, e, più tardi, della «missione» delle varie nazionalità, onde s'invitò a narrare la storia di ciascuna di queste monadi, che lungo i secoli svolgevano o piuttosto conservavano il proprio loro carattere.
Ma, in verità, quel che realmente si svolge non è l'individuo o questo o quel gruppo d'individui associati, ma lo spirito universale che, per creare le sue opere, atterra e suscita e conforma ai suoi fini gl'individui e i popoli. Sicchè delle opere è da trattare, delle opere che sono umane o umano-divine, e formano il solo soggetto della storia, e non già di entità immaginarie e di nomi classificatorii scambiati per sostanze e realtà.
In effetto, la storia del pensiero o della filosofia si comportò quasi del tutto incontaminata dai cosiddetti valori nazionali, commisurando le opere all'avanzamento del pensiero umano, e non già ai sentimenti e alle passioni nazionali. Ma anche la storia della poesia, se più dell'altra era esposta al pericolo di venire trattata nazionalmente per l'equivoco che nasceva dalla varietà delle lingue e dall'ordinario distinguersi delle nazioni secondo le lingue, si è quasi del tutto, almeno in Italia, liberata da queste servitù, e tende a trasferire i poeti, e tutti gli altri creatori di arte, in una sfera sopranazionale e ideale. Le divisione delle trattazioni per singoli popoli e paesi saranno ormai intese unicamente per quel che sono: divisioni pratiche per comodo di lavoro, e classificazioni per facilità di ritrovamento di quel che si cerca.
Nelle storie dell'azione pratica quella della varia tecnica non ha bisogno di snazionalizzarsi, perché le sono mancate quasi affatto le seduzioni allo sviamento dei giudizi, prodotto da sentimenti e tendenze politiche e morali. Ma all'opposto, e per questa medesima considerazione, gran bisogno ne ha la storia etico-politica, che come fu la prima che si presentò avviluppata in questi sentimenti e tendenze, così è l'ultima a disvilupparsene. Non già che siano mancati per il passato modi di trattazione che, oltrepassando gli stati e le nazioni, indicavano la via buona, come le storie della vita religiosa e quelle della civiltà, nelle quali le diverse nazioni convenivano, tutte collaboratrici, e delle quali si giudicava il lavoro a cui esse tutte contribuivano e non si giudicava esse per sé. Ma contro o accanto a queste trattazioni che si rivolgevano alla pura umanità, perduravano le altre informate al concetto di una umanità diversificata, e formante in ciascuno dei suoi componenti un centro assoluto, e che pertanto non erano più storie veramente umane, ma immaginazioni e costruzioni naturalistiche o metafisiche. Ognuno di noi sa a quali perversioni e a quali orrori questa coscienza nazionale entificata ha oggi portato il mondo, che fu un tempo il mondo cristiano e, in un altro tempo, volle essere il mondo dell'umanità, della fratellanza e della libertà. Al risanamento di questo mondo straziato e avvelenato noi storici dobbiamo dare la nostra parte specifica di lavoro, con lo «snazionalizzare» sempre più la storiografia: il che non vuol dire, come è chiaro, rinunziare a conoscere le cose degli italiani e dei francesi, dei tedeschi e degli inglesi, dei russi e dei giapponesi, e via dicendo, ma volerle conoscere e intendere e giudicare unicamente secondo il loro valore umano e universale.»
Quel nazionalizzamento ebbe le sue origini nel carattere epico serbatosi nella prima età della storiografia, e in quello oratorio e tendenzioso in servigio degli interessi politici dei singoli popoli e stati. Vi s'introdusse poi una cattiva filosofia che costruì il concetto dell'esprit des peuples o esprit des nations, e, più tardi, della «missione» delle varie nazionalità, onde s'invitò a narrare la storia di ciascuna di queste monadi, che lungo i secoli svolgevano o piuttosto conservavano il proprio loro carattere.
Ma, in verità, quel che realmente si svolge non è l'individuo o questo o quel gruppo d'individui associati, ma lo spirito universale che, per creare le sue opere, atterra e suscita e conforma ai suoi fini gl'individui e i popoli. Sicchè delle opere è da trattare, delle opere che sono umane o umano-divine, e formano il solo soggetto della storia, e non già di entità immaginarie e di nomi classificatorii scambiati per sostanze e realtà.
In effetto, la storia del pensiero o della filosofia si comportò quasi del tutto incontaminata dai cosiddetti valori nazionali, commisurando le opere all'avanzamento del pensiero umano, e non già ai sentimenti e alle passioni nazionali. Ma anche la storia della poesia, se più dell'altra era esposta al pericolo di venire trattata nazionalmente per l'equivoco che nasceva dalla varietà delle lingue e dall'ordinario distinguersi delle nazioni secondo le lingue, si è quasi del tutto, almeno in Italia, liberata da queste servitù, e tende a trasferire i poeti, e tutti gli altri creatori di arte, in una sfera sopranazionale e ideale. Le divisione delle trattazioni per singoli popoli e paesi saranno ormai intese unicamente per quel che sono: divisioni pratiche per comodo di lavoro, e classificazioni per facilità di ritrovamento di quel che si cerca.
Nelle storie dell'azione pratica quella della varia tecnica non ha bisogno di snazionalizzarsi, perché le sono mancate quasi affatto le seduzioni allo sviamento dei giudizi, prodotto da sentimenti e tendenze politiche e morali. Ma all'opposto, e per questa medesima considerazione, gran bisogno ne ha la storia etico-politica, che come fu la prima che si presentò avviluppata in questi sentimenti e tendenze, così è l'ultima a disvilupparsene. Non già che siano mancati per il passato modi di trattazione che, oltrepassando gli stati e le nazioni, indicavano la via buona, come le storie della vita religiosa e quelle della civiltà, nelle quali le diverse nazioni convenivano, tutte collaboratrici, e delle quali si giudicava il lavoro a cui esse tutte contribuivano e non si giudicava esse per sé. Ma contro o accanto a queste trattazioni che si rivolgevano alla pura umanità, perduravano le altre informate al concetto di una umanità diversificata, e formante in ciascuno dei suoi componenti un centro assoluto, e che pertanto non erano più storie veramente umane, ma immaginazioni e costruzioni naturalistiche o metafisiche. Ognuno di noi sa a quali perversioni e a quali orrori questa coscienza nazionale entificata ha oggi portato il mondo, che fu un tempo il mondo cristiano e, in un altro tempo, volle essere il mondo dell'umanità, della fratellanza e della libertà. Al risanamento di questo mondo straziato e avvelenato noi storici dobbiamo dare la nostra parte specifica di lavoro, con lo «snazionalizzare» sempre più la storiografia: il che non vuol dire, come è chiaro, rinunziare a conoscere le cose degli italiani e dei francesi, dei tedeschi e degli inglesi, dei russi e dei giapponesi, e via dicendo, ma volerle conoscere e intendere e giudicare unicamente secondo il loro valore umano e universale.»
Benedetto Croce, La Mia Filosofia
sábado, 26 de novembro de 2011
Times are evil
«Let others complain that the times are evil. I complain that they are wretched, for they are without passion. People's thoughts are as thin and fragile as lace, and they themselves as pitiable as lace-making girls. The thoughts of their hearts are too wretched to be sinful. It is perhaps possible to regard it as sin for a worm to nourish such thoughts, but not for a human being, who is created in the image of God. Their desires are staid and dull, their passions drowsy. They perform their duties, these mercenary souls, but just like the Jews, they indulge in trimming the coins a little; they think that, even though our Lord keeps ever so orderly an account book, they can still manage to trick him a little. Fie on them! That is why my soul always turns back to the Old Testament and to Shakespeare. There one still feels that those who speak are human beings; there they hate, there they love, there they murder the enemy, curse his descendants through all generations - there they sin.»
Soren Kierkegaard, Diapsalmata
Courage
«"Never lose courage! When troubles pile up most appallingly about you, you will see a helping hand in the clouds" - so said His Reverence Jesper Morten at vespers recently. Well, I am accustomed to walking a great deal under the open sky, but I have never noticed such a thing. A few days ago while on a walking tour, I became aware of such a phenomenon. It was really not a hand, but more like an arm, that reached out of the cloud. I fell into contemplation, and the thought came to me: If only Jesper Morten were here so he could decide whether this was the phenomenon he referred to. As I stood there lost in these thoughts, a passerby addressed me and said as he pointed up to the clouds, "Do you see that funnel-shaped cloud? One seldom sees such a thing in these parts. Sometimes it carries whole houses long with it." Good heavens, I thought, is that a funnel-shaped cloud-and took to my heels as fast as I could. What would His Reverence Jesper Morten have done, I wonder, in my place?»
Soren Kierkegaard, Diapsalmata
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Le Passé dans le Présent
La rose et le lis, dans la rosée matinale,
Fleurissent dans le jardin du voisinage;
Dans le fond, buissonneux, familier,
Le rocher monte vers le ciel;
Et, ceint d'une haute forêt,
Couronné du burg médiéval,
Le contour du sommet se prolonge
Jusqu'à s'unir à la vallée.
Et cela embaume comme jadis,
Quand nous connaissions les peines d'amour
Et que les cordes de ma harpe
Rivalisaient avec le rayon du matin;
Quand le chant du chasseur, hors du hallier
Résonnait à pleins poumons,
Pour enflammer, réconforter
Selon que le désirait notre coeur.
Or, puisque les forêts éternellement reverdissent,
Prenez courage et suivez leur exemple;
Ce que vous avez naguère goûté pour vous
Peut se goûter aussi dans les autres.
Personne alors ne nous accusera plus
De vouloir pour nous seuls le plaisir;
À tous les moments de la vie,
Il convient de savoir jouir.
Et avec ce détour de mon chant
Nous voici de nouveau chez Hafiz;
Car il sied de goûter l'achèvement du jour,
Avec ceux qui connaissent le plaisir.
Fleurissent dans le jardin du voisinage;
Dans le fond, buissonneux, familier,
Le rocher monte vers le ciel;
Et, ceint d'une haute forêt,
Couronné du burg médiéval,
Le contour du sommet se prolonge
Jusqu'à s'unir à la vallée.
Et cela embaume comme jadis,
Quand nous connaissions les peines d'amour
Et que les cordes de ma harpe
Rivalisaient avec le rayon du matin;
Quand le chant du chasseur, hors du hallier
Résonnait à pleins poumons,
Pour enflammer, réconforter
Selon que le désirait notre coeur.
Or, puisque les forêts éternellement reverdissent,
Prenez courage et suivez leur exemple;
Ce que vous avez naguère goûté pour vous
Peut se goûter aussi dans les autres.
Personne alors ne nous accusera plus
De vouloir pour nous seuls le plaisir;
À tous les moments de la vie,
Il convient de savoir jouir.
Et avec ce détour de mon chant
Nous voici de nouveau chez Hafiz;
Car il sied de goûter l'achèvement du jour,
Avec ceux qui connaissent le plaisir.
Goethe, Le Livre du chanteur
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Memória
«Sem o saber nem o querer - respondeu Carlota - o senhor deu à nossa conversa uma volta inteiramente favorável à minha tese. Mas a efígie do homem é, sem dúvida, muito independente; onde quer que esteja, está para si só, e não vamos pedir-lhe que nos indique o verdadeiro sepulcro. Mas quer que lhe confesse um estranho sentimento? Até pelas estátuas experimento uma certa aversão; pois sempre me pareceu que me dirigem uma tácita censura; evocam um remoto passado e recordam-me como é difícil honrar devidamente o presente. Quando recordamos os seres que vimos e conhecemos e confessamos quão pouco fomos para eles, quão pouco foram eles para nós, pomo-nos de tão mau humor! Encontramo-nos com um homem engenhoso e nem lhe falamos; com um homem sabedor e não procuramos aprender com ele; com um homem que conhece o mundo e não queremos o seu conselho; com um homem afável sem sequer o cumprimentarmos. E, por desgraça, não acontece assim unicamente com os que vão de passagem. Sociedades e famílias conduzem-se de modo exactamente igual com os seus mais queridos membros; as cidades com os seus cidadãos mais dignos; os povos com os seus melhores príncipes; as nações com os seus homens mais ilustres. Ouvi uma vez perguntar porque se diz dos mortos tanto bem e dos vivos se fala sempre com receio. E a resposta foi: porque dos mortos não há nada que temer ao passo que os vivos podemos encontrá-los no caminho. Pois imoral é também preocupar-se alguém com a memória dos outros; a maioria das vezes não passa de uma distracção egoísta quando, pelo contrário, deveria ser coisa sagrada manter sempre vivas e activas as nossas relações com os sobreviventes.»
Goethe, As Afinidades Electivas
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Poeta
«Com a grande parte dos poetas, ó pai e ó filhos dignos de tal pai, deixamos enganar-nos por falsas aparências de verdade: forcejo por ser breve, em obscuro me torno; a quem procura o estilo polido, faltam a força e o calor, e todo o que se propõe atingir o sublime, descamba no empolado. Acaba, todavia, rastejando pelo chão o demasiado cauto, o que tem medo da procela; mas quem deseje variar prodigiosamente um tema uno, pintará golfinhos nas florestas e javalis nas ondas do mar. Procurando fugir do engano se cai no erro, caso se não possua a arte. Nas imediações da escola Emília, o mais ínfimo dos escultores moldará unhas no bronze e até nele imitará cabelos sedosos, mas será infeliz no acabamento da obra por não saber criar um todo. Se algo desejasse compor, não quereria assemelhar-se a esse, do mesmo modo que não me agradaria possuir horrível nariz, ainda que meus olhos negros e negros cabelos fossem dignos de admiração.
Vós que escreveis, escolhei matéria à altura das vossas forças e pesai no espírito longamente que coisas vossos ombros bem carregam e as que eles não podem suportar. A quem escolher assunto de acordo com as suas possibilidades nunca faltará eloquência nem tão-pouco ordem luzidia.
A virtude e beleza da ordem consistirão - ou eu me engano - em que se diga imediatamente o que tem de ser dito, pondo muitos pormenores de lado e omitindo-os de momento: que o autor do poema prometido, ora escolha este aspecto, ora despreze aquele.»
Vós que escreveis, escolhei matéria à altura das vossas forças e pesai no espírito longamente que coisas vossos ombros bem carregam e as que eles não podem suportar. A quem escolher assunto de acordo com as suas possibilidades nunca faltará eloquência nem tão-pouco ordem luzidia.
A virtude e beleza da ordem consistirão - ou eu me engano - em que se diga imediatamente o que tem de ser dito, pondo muitos pormenores de lado e omitindo-os de momento: que o autor do poema prometido, ora escolha este aspecto, ora despreze aquele.»
Horácio, Arte Poética
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Otília
«Há uma variedade de monumentos e símbolos que aproximam de nós os ausentes e os mortos. Mas nenhum vale tanto como imagem. A conversa com uma imagem querida tem o mesmo encantamento que o debate com um amigo. Sentimos de modo muito grato que somos dois e que, no entanto, não nos podem separar.
Conversamos muitas vezes com uma pessoa presente como com um retrato. Não necessita falar, nem olhar-nos, nem ocupar-se de nós; vemo-lo, sentimos a nossa ligação com ele, e até essa nossa ligação pode aumentar sem que nada faça para isso, nem o sinta, embora se porte connosco exactamente como um retrato.»
Conversamos muitas vezes com uma pessoa presente como com um retrato. Não necessita falar, nem olhar-nos, nem ocupar-se de nós; vemo-lo, sentimos a nossa ligação com ele, e até essa nossa ligação pode aumentar sem que nada faça para isso, nem o sinta, embora se porte connosco exactamente como um retrato.»
Goethe, As Afinidades Electivas
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Vida
«-Passemos agora ao resto - disse a seu amigo - à descrição da herdade, para o que deve haver já um trabalho prévio suficiente, de que depois resultarão os modelos de arrendamento e outras coisas. Mas assinalemos e estabeleçamos um princípio: separemos a vida de tudo o que é propriamente negócio. A vida requer seriedade, esforço e livre arbítrio, o negócio impõe a mais pura perseverança; como a vida necessita às vezes de inconsequência, até mesmo se pode dizer que a vida nos dá alegria e suavidade; quanto mais exacto fores num, tanto mais livre serás no outro, ao passo que, se misturar as duas coisas, o arbitrário destrói e elimina o exacto.»
Goethe, As Afinidade Electivas
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Tempo
«A distinção absoluta primitiva entre tempo e ternidade no pensamento Cristão - entre nunc movens com o seu princípio e fim e nunc stans, a posse perfeita da vida infinda - adquiriu uma terceira ordem intermediária baseada nesta posição muito singular de "nem numa nem noutra" dos anjos. Mas tal como o Princípio da Complementaridade, esta ficção-concórdia em breve provou que tinha utilidade fora do seu contexto imediato, a angeologia. Porque serviu como um meio para se falar sobre certos aspectos da experiência humana, foi humanizada. Ajudou as pessoas a pensar na sensação que os homens às vezes têm de participar numa qualquer ordem de duração que não seja do nunc movens de poderem, por assim dizer, fazer tudo o que os anjos fazem. Estes momentos são os tais a que Agostinho chama os momentos daquilo a que os psicólogos chamam a "integração temporal". Quando Agostinho recitava o seu salmo, encontrou nele uma imagem para a integração do passado, presente e futuro, que desafia o tempo consecutivo. Descobriu aquilo a que agora erradamente se refere como "forma espacial". Ele estava a antecipar o que sebemos da relação entre livros e a terceira ordem de duração de S. Tomás - porque na espécie de tempo que os livros conhecem , um momento tem perspectivas infindas da realidade. Sentimos, nas palavra de Thomas Mann, que "no seu começo existe o seu meio e o seu fim, o seu passado invade o presente e até a mais extrema atenção ao presente é invadida pela preocupação com o futuro". O conceito de aevum fornece uma forma de falar sobre esta variedade invulgar de duração - nem temporal nem eterna, mas, segundo Aquino disse, participando tanto no temporal como no eterno. Não elimina o tempo nem o espacializa; coexiste com o tempo, e é uma forma nas quais as coisas podem ser perpétuas sem serem eternas.»
Frank Kermode, A Sensibilidade Apocalíptica
domingo, 13 de novembro de 2011
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