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Oeiras, Portugal
Aluno e Professor. Sempre aluno.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Intervalo

«O conceito de prazo não circunscreve apenas o espaço que a ilusão e a esperança partilham entre si, mas recorda, ao mesmo tempo, a figura fundamental do pensamento histórico ocidental. Pois só é possível compreender o que significa a história, no eminente sentido ocidental da palavra, através do seu carácter de prazo e de intervalo.Só pode haver um tempo intermédio quando um acontecer no tempo tende para um fim último ou para um termo final, a partir do qual pode ser abrangido com a vista com um prazo. São precisamente estas as características basilares do pensamento judaico tardio e cristão, que é elemento constitutivo do fenómeno Europa. Poucos historiadores se dão conta com a necessária clareza de que não só os primórdios da história ocidental, mas também os tempos modernos, incluindo o presente mais recente, foram modelados pela tradição e evolução de motivos messiânicos e escatológicos. Mas no que diz respeito a programa, aberto desde Marx e Dilthey, de uma crítica da razão histórica, não deveria haver dúvida nenhuma  de que a messianologia (tal como esta saiu da tradição judia e tal como fez história na sua variante cristã) tem de constituir a sua parte essencial.»

Peter Sloterdijk, A Mobilização Infinita, para uma crítica da cinética política

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Ella Fitzgerald : One note Samba (scat singing) 1969

Rinunzia

«Avevo vagheggiato pei miei ultimi anni, se non una totale rinunzia, una diminuizione della mia fatica di ricercatores, critico e scrittore, e di circondarmi di giovani ai quali avrei comunicato le mie esperienze di studioso e, per così dire, i piccoli segreti di mestiere, dato a loro indirizzo per la formazione scientifica nelle cose della filosofia, della storia e della letteratura, e cercato di far loro intendere e sentire il legame che queste hanno con la disposizione morale e religiosa dello spirito; sempre seguendo l'impulso che ci porta a volere i nostri figli migliori di noi, o almeno non impacciati dagli impacci dai quali noi con difficoltà ci siamo liberati. Ma i fatti hanno disposto diversamente, ede eccomi ad attendere ancora a lunghi lavori di ricerca, a curare una rivista, a recensire libri, a correggere storture, a protestare contro atti e tendenze riprovevoli e perniciosi, a sforzarmi di mantenere da mia parte la tradizione degli studi e il costume e i concetti morali che furono quelli degli uomini a cui dobbiamo il risorgimento d'Italia. Non posso far altro, e debbo far questo.»

Benedetto Croce, Contributo alla critica di me stesso

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Tori Amos - Strange Little Girl - Official Music Video

255.

«Se alguma coisa há que esta vida tem para nós, e, salvo a mesma vida, tenhamos que agradecer aos Deuses, é o dom de nos desconhecermos: de nos desconhecermos a nós mesmos e de nos desconhecermos uns aos outros. A alma humana é um abismo obscuro e viscoso, um poço que se não usa na superfície do mundo. Ninguém se amaria a si mesmo se deveras se conhecesse, e assim, não havendo a vaidade, que é o sangue da vida espiritual, morreríamos na alma de anemia. Ninguém conhece outro, e ainda bem que o não conhece, e, se o conhecesse, conheceria nele, ainda que mãe, mulher ou filho, o íntimo, metafísico inimigo.
Entendemo-nos porque nos ignoramos. Que seria de tantos cônjuges felizes se pudessem ver um na alma do outro, se pudessem compreender-se, como dizem os românticos, que não sabem o perigo - se bem que o perigo fútil - do que dizem. Todos os casados do mundo são mal casados, porque cada um guarda consigo, nos secretos onde a alma é do Diabo, a imagem subtil do homem desejado que não é aquele, a figura volúvel da mulher sublime, que aquela não realizou. Os mais felizes ignoram em si mesmos estas suas disposições frustradas; os menos felizes não as ignoram, mas não as conhecem, e só um outro arranque fruste, uma ou outra aspereza no trato, evoca, na superfície casual dos gestos e das palavras, o Demónio oculto, a Eva antiga, o Cavaleiro e a Sílfide.
A vida que se vive é um desentendimento fluido, uma média alegre entre a grandeza que não há e a felicidade que não pode haver. Somos contentes porque, até ao pensar e ao sentir, somos capazes de não acreditar na existência da alma. No baile de máscaras que vivemos, basta-nos o agrado do traje, que no baile é tudo. Somos servos das luzes e das cores, vamos na dança como na verdade, nem há para nós - salvo se, desertos, não dançamos - conhecimento do grande frio do alto da noite externa, do corpo mortal por baixo dos trapos que lhe sobrevivem, de tudo quanto, a sós, julgamos que é essencialmente nós, mas afinal não é senão a paródia íntima da verdade do que nos supomos.
Tudo quanto fazemos ou dizemos, tudo quanto pensamos ou sentimos, traz a mesma máscara e o mesmo dominó. Por mais que dispamos o que vestimos, nunca chegamos à nudez, pois a nudez é um fenómeno da alma e não de tirar fato. Assim, vestidos de corpo e alma, com os nossos múltiplos trajes tão pegados a nós como as penas das aves, vivemos felizes ou infelizes, ou nem até sabendo o que somos, o breve espaço que nos dão os deuses para os divertirmos, como crianças que brincam a jogos sérios.
Um outro de nós, liberto ou maldito, vê de repente - mas até esse raras vezes vê - que tudo quanto somos é o que não somos, que nos enganamos no que está certo e não temos razão no que concluímos justo. E esse, que, num breve momento, vê o universo despido, cria uma filosofia, ou sonha uma religião; e a filosofia espalha-se e a religião propaga-se, e os que crêem na filosofia passam a usá-la como veste que não vêem, e os que crêem na religião passam a pô-la como máscara de que se esquecem.
E sempre, desconhecendo-nos a nós e aos outros, e por isso entendendo-nos alegremente, passamos na volutas da dança ou nas conversas do descanso, humanos, fúteis, a sério, ao som da grande orquestra dos astros, sob os olhares desdenhosos e alheios dos organizadores do espectáculo.
Só eles sabem que nós somos presas da ilusão que nos criaram. Mas qual é a razão dessa ilusão, e porque é que há essa, ou qualquer, ilusão, ou porque é que eles, ilusos também, nos deram que tivéssemos a ilusão que nos deram - isso, por certo, eles mesmos não sabem.»

Bernardo Soares, Livro do Desassossego

ZOLA JESUS "NIGHT" MUSIC VIDEO

Ode à Maneira de Horácio

Feliz aquela que efabulou o romance
Depois de o ter vivido
A que lavrou a terra e construiu a casa
Mas fiel ao canto estridente das sereias
Amou a errância o caçador e a caçada
E sob o fulgor da noite constelada
À beira da tenda partilhou o vinho e a vida.

Sophia de Mello Breyner Andresen, O Búzio de Cós e Outros Poemas

sábado, 6 de agosto de 2011

Beach House - Silver Soul (OFFICIAL VIDEO)

Le coeur supplicié.

Mon triste coeur bave à la poupe...
Mon coeur est plein de caporal!
Ils y lancent des jets de soupe,
Mon triste coeur bave à la poupe...
Sou les quolibets de la troupe
Qui lance un rire général,
Mon triste coeur bave à la poupe,
Mon coeur est plein de caporal!

Ithyphalliques et pioupiesques
Leurs insultes l'ont dépravé;`
À la vesprée, ils font des fresques
Ithyphaliques et pioupiesques;
Ô flots abracadabrantesques,
Prenez mon coeur, qu'il soit sauvé!
Ithyphalliques et pioupiesques
Leurs insultes l'ont dépravé!

Quand ils auront tari leurs chiques,
Comment agir, ô coeur volé?
Ce seront des refrains bachiques
Quand ils auront tari leurs chiques!
J'aurai des sursauts stomachiques
Si mon coeur triste est ravalé!
Quand ils auront tari leurs chiques
Comment agir, ô coeur volé?

Arthur Rimbaud, Poésies complètes

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Panda Bear - "Comfy In Nautica"

Poesia

«Platone l'aveva confinata [la poesia], come sappiamo, nella parte vile dell'anima, tra gli spiriti animali. Ma il Vico la risolleva egli ne fa un periodo della storia dell'umanità, e poiché la sua è storia ideale, i cui periodi non sono fatti contingenti ma forme dello spirito, una forma della coscienza. La poesia viene prima dell'intelletto, ma dopo il senso: confondendola con questo, Platone non aveva riconosciuto il posto che la spetta e l'aveva scacciata dalla sua Repubblica. «Gli uomini prima sentono senz'avvertire; da poi avvertiscono con animo perturbato e commosso; finalmente, riflettono con mente pura. Questa Degnità è 'l Principio delle sentenze poetiche, che sono formate con sensi di passioni e d'affetti, a differenza delle sentenze filosofiche, che si formano dalla riflessione con raziocini: onde queste più s'appressano al vero, quanto più s'innalzano agli universali; e quelle son più certe, quanto più s'appropiano a' particolari». Grado fantastico, ma fornito di valore positivo.»

Benedetto Croce, «Giambattista   Vico», in Estetica 

Fleet Foxes - White Winter Hymnal

Imagination

«The desire of the Romantics is perhaps for what Blake calls "organized innocence", but never for a mere return to the state of nature. The German Romantics, however, because of the contemporaneous philosophical tradition which centered on the relations between consciousness and consciousness of the self (Fichte, Schelling, Hegel), gained in some respects a clearer though not more fruitful understanding of the problem. I cannot consider in detail the case of French Romanticism; but Shelley's visionary despair, Keat's understanding of the poetical character, and Blake's doctrine of the contraries, reveal that self-consciousness cannot be overcome; and the very desire to overcome it, which poetry and imagination encourage, is part of a vital, dialectical movement of "soul-making".
The link between consciousness and self-consciousness, or knowledge and guilt, is already expressed in the story of the expulsion from Eden. Having tasted knowledge, man realizes his nakedness, his sheer separateness of self. I have quoted Kleist's reflection; and Hegel, in his interpretation of the Fall, argues that the way back to Eden is via contraries: the naively sensuous mind must pass through separation and selfhood to become spiritually perfect. It is the destiny of consciousness, or as the English Romantics would have said, of Imagination, to separate from nature, so that it can finally transcend not only nature but also its own lesser forms.»

Geoffrey H. Hartman, «Romanticism and  "Anti-Self-Consciousness"», in  Harold Bloom, Romanticism and Consciousness

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Patty Pravo Col tempo (1994)

Ideia do Imemorial

«Quando acordamos sabemos por vezes que vivemos em sonhos a verdade, clara e ao alcance da mão, de tal modo que ficamos totalmente dominados por ela. Umas vezes é-nos dado ver uma escrita cujo selo subitamente quebrado nos fornece o segredo da nossa existência. Outras vezes, uma só palavra, acompanhada de um gesto imperioso, ou repetida numa lenga-lenga infantil, ilumina como um relâmpago toda uma paisagem de sombras, devolvendo a todos os pormenores a sua forma reencontrada, definitiva.
No despertar, porém, embora nos recordemos, de forma límpida, de todas as imagens do sonho, aquela escrita e aquela palavra perderam a sua força de verdade, e é com tristeza que as voltamos de todos os lados, sem conseguir redescobrir-lhes o encanto. Temos o sonho, mas, inexplicavelmente, falta-nos a sua essência, que ficou sepultada naquela terra à qual, uma vez despertados, deixámos de ter acesso.
Raramente temos tempo de observar aquilo que devia ser perfeitamente evidente: que confiamos em vão a um outro tempo e a um outro lugar o segredo do sonho. Só no momento do despertar, quando nos vem como um lampejo, o sonho existe para nós na sua inteireza. A recordação que o sonho nos concedeu é a mesma que nos faz ver o vazio que aflige: as duas estão contidas num e no mesmo gesto.
A memória involuntária proporciona uma experiência análoga. Nela, a recordação que nos devolve a coisa esquecida esquece-se também dela, e este esquecimento é a sua luz. Daí, porém, vem a nostalgia que a anima: há uma nota elegíaca que vibra tão tenazmente no fundo de toda a memória humana que, no limite, a recordação que não recorda nada é a mais poderosa das recordações.
Em vez de ver nesta aporia do sonho e da recordação uma limitação e uma fraqueza, devemos, pelo contrário,  tomá-la por aquilo que ela é: uma profecia que tem a ver com a própria estrutura da consciência. Não é aquilo que vivemos e depois esquecemos que regressa, na sua imperfeição, à consciência; somos antes nós que acedemos então a qualquer coisa que nunca foi, ao esquecimento como parte da consciência. É por isso que a nossa felicidade está impregnada de nostalgia: a consciência contém em si o presságio da inconsciência, e esse presságio é precisamente a condição da sua perfeição. Isto significa que toda a atenção tende, em última instância, para uma distracção e que, no seu limite extremo, o pensamento não é mais que um estremecimento. Sonho e recordação mergulham a vida no sangue de dragão da palavra e, deste modo, tornam-na invulnerável à memória. O imemorial, que se precipita de memória em memória sem nunca chegar à recordação, é verdadeiramente inesquecível. Este esquecimento inesquecível é a linguagem, é a palavra humana.
Assim, a promessa que o sonho formula no próprio momento em que se dissipa é a de uma lucidez tão poderosa que nos entrega à distracção, de uma palavra tão completa que nos reenvia para a infância, de uma razão tão soberana que se compreende a si mesma como incompreensível.»

Giorgio Agamben, Ideia da Prosa

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Coeur de pirate || Comme des enfants [vidéoclip officiel]

Coeur de pirate || Comme des enfants [vidéoclip officiel] from Dare To Care Records on Vimeo.

36. O Ponto

Não dizer, não ditar,
não fazer, não ser,
não ser destino ou presciência,
estar mais escuro que o escuro,
nulo, coisa nada.
Não ponto nem desponto,
não há caixa onde o vazio caiba.

Pedro Tamen, O Livro do Sapateiro  

Avi Buffalo 'What's In It For?'

Doing Laundry

Here finally I have shriven myself and am saint,
Pouring the detergent just so, collating the whites
With the whites, and the coloreds with the coloreds,

Though I slip in a light green towel with the load
Of whites for Vivian Malone and Medgar Evers,
Though I leave a pale shift among the blue jeans

For criminals and the ones who took small chances.
O brides and grooms, it is not always perfect.
It is not always the folded, foursquare, neat soul

Of sheets pressed and scented for lovemaking,
But also this Friday, stooping in a dark corner
Of the bedroom, harvesting diasporas of socks,

Extracting like splinters the T-shirts from the shirts.
I do not do this with any anger, as the poor chef
May add to a banker's consommé the tail of a rat,

But with the joy of a salesman closing a sweet deal,
I tamp loosely around tha shaft of the agitator
And mop the kitchen while it runs the cycles.

Because of my diligence, one woman has time
To teach geography, another to design a hospital.
The organ transplant arrives. The helicopter pilot

Steps down, dressed in an immaculate germent.
She waves to me and smiles as I hoist the great
Moist snake of fabric and heave it into the dryer.

I who popped rivets into the roof of a hangar,
Who herded copper tubes into the furnace,
Who sweated bales of alfalfa into the rafters

High in the barn loft of July, who dug the ditch
For the gas line under the Fourteenth Street overpass
And repaired the fence the new bull had ruined,

Will wash the dishes and scrub the counters
Before unclogging the drain and vacuuming.
When I tied steel on the bridge, I was not so holy

As now, taking the hot sheets from the dryer,
Thinking of the song I will make in praise of women,
But also of ordinary men, doing laundry.

Rodney Jones, Elegy for the Southern Drawl

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Wagner - Parsifal Act I Prelude_1

Presente

«No princípio do século XX ainda havia a euforia da industrialização, a euforia da máquina.

MFM - E a euforia da destruição. Agora, a destruição parece que já não é acompanhada de euforia. Todas as condições históricas, económicas, políticas estão sempre a ser estudadas.Já reparou que nós não podemos dizer uma frase sem que a seguir ela seja imediatamente analisada? Vemos isso na política. Aquilo a que chamamos «o presente» - e que é tão difícil de determinar - parece que tem uma vida cada vez menos real.

Está em exegese permanente?


MFM - Sempre. Isso parece impedir o pensamento. Para haver pensamento é preciso haver distância. Aqui não; é tudo em cima da hora. Quando há declarações dos políticos, quase ao mesmo tempo já se está a fazer o comentário. Às vezes nem se deixa acabar o discurso. Há nisso uma impossibilidade de criar distância, uma condição para nós pensarmos. Há uma tradução mimética do que se está a ouvir, orientada por certos lugares-comuns que o jornalista tem na cabeça ou porque pertence àquele partido ou porque não pertence ou porque quer fazer de conta que é muito neutro. Há uma série de razões psicológicas nisso. Por outro lado há o interesse do público, que quer que lhe traduzam tudo o que ouve.

Essa aceleração do tempo parece-lhe perniciosa?


MFM - Não sei se é uma aceleração do tempo. Acho que é uma forma de evitar a distância e a demora que possibilitam pensar.

Eu referia-me à instantaneidade mediática.


MFM - Quer dizer, é ligar-se à instantaneidade de modo a criar reproduções de instantaneidades que não têm fim. Porque depois também há os comentadores que comentam os comentadores.O elemento representacional na política  não foi inventado agora. Existe desde sempre.

Refere-se ao aspecto simbólico daquilo que é dito?


MFM - Exactamente. Se eu estou a fazer uma declaração para um público há aí um elemento representacional imediatamente inscrito. Faço-a com uma determinada retórica, com determinados instrumentos de persuasão, com um objectivo que tem a ver não só com a ideia de convencer mas provavelmente também com a de vencer.

Ou seja, nada é para ser lido pelo valor facial.


Pois. Mas na política, como em todos os discursos públicos, há uma oscilação entre aquilo a que chama «valor facial» e o tal valor representacional. Nunca podemos estar completamente certos de que um deles se sobrepõe ao outro. Mas depois hámecanismos de confronto e de comparação das palavras que se dizem com aquilo que se passa, na medida do possível. O comentador parece ter esse papel de comparação. A verdade é que faz quase sempre só uma espécie de paráfrase do que está a ser dito como se estivesse a ser falado numa língua estrangeira.É como se fosse uma linguagem que o comentador tem que decifrar para benefício dos seus auditores. Acho que isso é impossibilitador e pensamento. Chamou-lhe «aceleração do tempo» e tem muita razão: é algo que tem a ver com uma pressa enorme de tornar cifrada a palavra que está a ser dita para obter dividendos junto de quem ouve. Junto de quem lê é mais difícil porque a escrita implica demora.»

Maria Filomena Molder, in Revista «Ler», nº104, Julho/Agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sting: King of pain. Live in Berlin 2010 (13/15)

Allegoria

«L'allegoria non è altro, per chi non ne perda di vista la vera e semplice natura, se non una sorta di criptografia, e perciò un prodotto pratico, un atto di volontà, col quale si decreta che questo debba significare quello, e quello quell'altro: per «cielo» (scrive Dante nel Convivio) «voglio» intendere «la scienza», e per «cieli» le «scienze», e per «occhi» le «dimostrazioni». E quando l'autore di quel prodotto non lascia un espresso documento per dichiarare l'atto di volontà da lui compiuto, porgendo al lettore la «chiave» della sua allegoria, è vano ricercare e sperare di fissarne in modo sicuro il significato: la «vera sentenza non si può vedere», se l'autore «non la conta», come anche si avverte nel Convivio. In mancanza della chiave, della espressa dichiarazione di chi ha formato l'allegoria, si può, fondandosi sopra altri luoghi dell'autore e dei libri che egli leggeva, giungere, nel miglior caso, a una probablità d'interpretazione, che per altro non si converte mai in certezza: per la certezza ci vuole, a rigor di termini, l'ipse dixit. Se, in fatto di poesia, l'autore è sovente il peggiore dei critici, in fatto d'allegoria è sempre il migliore.»

Benedetto Croce, La Poesia di Dante

Marc-Antoine Charpentier: Medée (1)

Farce

«Hegel fait quelque part cette remarque que tous les grands événements et personnages historiques se répètent pour ainsi dire une deuxième fois. Il a oublié d'ajouter: la première fois comme tragédie, la seconde fois comme farce. Caussidière pour Danton, Louis Blanc pour Robespierre, la Montaigne de 1848 à 1851 pous la Montaigne de 1793 à 1795, le neveu pour l'oncle. Et nous constatons la même caricature dans les circonstances où parut la deuxième édition du 18-Brumaire.
Les hommes font leur propre histoire, mais ils ne la font pas arbitrairement, dans les conditions choisies par eux, mais dans des conditions directement données et hérités du passé. La tradition de toutes les générations mortes pèse d'un poids très lourd sur le cerveau des vivants. Et même quand ils semblent occupés à se transformer, eux et les choses, à créer quelque chose de tout à fait nouveau, c'est précisément à ces époques de crise révolutionnaire qu'ils évoquent craintivement les esprits du passé, qu'ils leur empruntent leurs noms, leurs mots d'ordre, leurs costumes, pour apparaître sur la nouvelle scène de l'histoire sous ce déguisement respectable et avec ce langage emprunté. C'est ainsi que Luther prit le masque de l'apôtre Paul, que la Révolution de 1789 à 1814 se drapa successivement dans le costume de la République romaine, puis dans celui de l'Empire romain, et que la révolution de 1848 ne sut rien faire de mieux que de parodier tantôt 1789, tantôt la tradition révolutionnaire de 1793 à 1795. C'est ainsi que le débutant qui apprend une nouvelle langue la retraduit toujours en pensée dans sa langue maternelle, mais il ne parvient à s'assimiler l'esprit de cette nouvelle langue et à s'en servir librement que lorqu'il arrive à la manier sans recourir à l'aide de sa langue maternelle.»

Karl Marx, Le 18-Brumaire de Louis Bonaparte