Bento Espinosa, Ética
Io credo nelle persone, però non credo nella maggioranza delle persone. Anche in una società più decente di questa, mi sa che mi troverò a mio agio e d'accordo sempre con una minoranza. (Nanni Moreti)
Acerca de mim
terça-feira, 10 de maio de 2011
Alma
«Da mesma maneira se demonstra que não existe na Alma nenhuma faculdade absoluta de entender, de desejar, de amar, etc. De onde se segue que essas faculdades e outras semelhantes ou são puras ficções ou então não são senão entes metafísicos, isto é, universais, que costumamos formar a partir dos singulares; de tal maneira que a inteligência e a vontade estão para esta ou aquela ideia, ou para esta ou aquela volição na mesma relação que a pedreidade («lapideitas») está para esta ou aquela pedra, ou como homem está para Pedro para Paulo. Expliquei, por outro lado, no Apêndice da Parte I, a causa por que os homens julgam ser livres. Mas, antes de prosseguir, convém notar aqui que, por vontade, entendo, repito, a faculdade pela qual a Alma afirma ou nega, o que é verdadeiro e o que é falso, e não o desejo pelo qual a Alma apetece as coisas ou as tem em aversão. Ora, depois de ter já demonstrado que essas faculdades são noções universais, que se não distinguem das coisas singulares das quais as formamos, é necessário investigar agora se as próprias volições são algo mais que as ideias que temos das próprias coisas. É necessário investigar, repito, se existe, na Alma, outra afirmação ou outra negação além daquela que envolve a ideia, enquanto ela é uma ideia. Sobre esse assunto, veja-se a proposição seguinte, assim como a definição 3 desta parte, para que o pensamento não degenere em pinturas. Com efeito, por ideias não entendo imagens, como as que se produzem no fundo dos olhos ou, se se quiser, no meio do cérebro, mas concepções do Pensamento.»
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Métamorphose
«Dans un ouvrage sur le Folklore des Boschimans, que je tiens pour le document le plus précieux sur l'humanité primitive, et qui est loin d'être encore épuisé - bien qu'il ait été rédigé par Bleek il y a cent ans, et imprimé voià bientôt cinquante ans -, se trouve un chapitre sur les pressentiments des Boschimansm qui contient d'importants éclaircissements. Comme on le verra, ces pressentiments sont des amorces de métamorphoses de forme on ne peut plus simple. Les Boschimans flairent de loin l'arrivée de personnes qu'ils ne peuvent ni voir ni entendre. Ils ont aussi un sentiment qui leur dit l'approche du gibier, et ils décrivent par quels signes leur propre corps leur fait reconnaître cette approche. En voici quelques exemples, reproduits littéralement.
«Un homme dit à ses enfants de surveiller l'arrivée de leur grand-père. «Faites le guet, il me semble que Grand-Père approche. Car je sens la place de son corps où est sa vieille blessure.» Les enfants font le guet. Ils voient un homme au loin. Ils disent à leur père: Voici un homme qui arrive.» Leur père lui dit: "C'est votre grand-père qui arrive. Je savais qu'il viendrait. J'ai senti son arrivée à la place de sa vieille blessure. Je voulais que vous le voyiez vous-mêmes: il arrive réellement. Vous n'en croyez pas mon pressentiment. Mais il dit la vérité".»
Cette scène est d'une simplicité grandiose. Le vieil homme qui est le grand-père de ces enfants était manifestement parti bien loin. Il a une vieille blessure à certain endroit de son corps. Son fils adulte, père des enfants, connaît exactement cet endroit. C'est une de ces blessures qui se réveillent toujours. On a souvent entendu le vieillard en parler. Elle est, dirions-nous, sa «caractéristique». Quand le fils pense à son père, il pense à sa blessure. Mais c'est plus qu'une simple pensée. Il ne se contente pas de se représenter la blessure, son emplacement précis, il la sent à l'endroit correspondant de son corps à lui. Dès qu'il la sent, il suppose que son père, qu'il ná pas vu depuis un certain temps, s'approche. Il sent qu'il s'approche parce qu'il sent sa blessure. Il le dit à ses enfants, et il semble qu'ils ne le croient guère. Ils n'ont peut-être pas encore appris à croire à la justesse de pareils pressentiments. Il leur fait faire le guet, et en effet, un homme s'approche. Ce ne peut être que le grand-père, c'est lui. Le père avait raison. Le sentiment de son corps ne l'a pas trompé.»
«Un homme dit à ses enfants de surveiller l'arrivée de leur grand-père. «Faites le guet, il me semble que Grand-Père approche. Car je sens la place de son corps où est sa vieille blessure.» Les enfants font le guet. Ils voient un homme au loin. Ils disent à leur père: Voici un homme qui arrive.» Leur père lui dit: "C'est votre grand-père qui arrive. Je savais qu'il viendrait. J'ai senti son arrivée à la place de sa vieille blessure. Je voulais que vous le voyiez vous-mêmes: il arrive réellement. Vous n'en croyez pas mon pressentiment. Mais il dit la vérité".»
Cette scène est d'une simplicité grandiose. Le vieil homme qui est le grand-père de ces enfants était manifestement parti bien loin. Il a une vieille blessure à certain endroit de son corps. Son fils adulte, père des enfants, connaît exactement cet endroit. C'est une de ces blessures qui se réveillent toujours. On a souvent entendu le vieillard en parler. Elle est, dirions-nous, sa «caractéristique». Quand le fils pense à son père, il pense à sa blessure. Mais c'est plus qu'une simple pensée. Il ne se contente pas de se représenter la blessure, son emplacement précis, il la sent à l'endroit correspondant de son corps à lui. Dès qu'il la sent, il suppose que son père, qu'il ná pas vu depuis un certain temps, s'approche. Il sent qu'il s'approche parce qu'il sent sa blessure. Il le dit à ses enfants, et il semble qu'ils ne le croient guère. Ils n'ont peut-être pas encore appris à croire à la justesse de pareils pressentiments. Il leur fait faire le guet, et en effet, un homme s'approche. Ce ne peut être que le grand-père, c'est lui. Le père avait raison. Le sentiment de son corps ne l'a pas trompé.»
Elias Canetti, Masse et puissance
O regresso
No fim dos anos do desterro
voltei à casa da minha infância
e contudo é-me estranho o seu espaço.
As minhas mãos tocaram nas árvores
como quem acarinha alguém que dorme
e repeti velhos caminhos
como se recuperasse um verso esquecido
e vi na tarde cada vez mais límpida
a frágil lua nova
abandonada ao amparo sombrio
da palmeira e das suas altas folhas,
como o pássaro ao ninho.
Que multidão de céus
abarcará o pátio entre os seus muros,
que poentes heróicos
militarão no abismo da rua
e quantas quebradiças luas novas
infundirão ternura a este jardim
antes que a casa volte a conhecer-me
e seja outra vez um hábito!
voltei à casa da minha infância
e contudo é-me estranho o seu espaço.
As minhas mãos tocaram nas árvores
como quem acarinha alguém que dorme
e repeti velhos caminhos
como se recuperasse um verso esquecido
e vi na tarde cada vez mais límpida
a frágil lua nova
abandonada ao amparo sombrio
da palmeira e das suas altas folhas,
como o pássaro ao ninho.
Que multidão de céus
abarcará o pátio entre os seus muros,
que poentes heróicos
militarão no abismo da rua
e quantas quebradiças luas novas
infundirão ternura a este jardim
antes que a casa volte a conhecer-me
e seja outra vez um hábito!
Jorge Luís Borges, Fervor de Buenos Aires
A Cidade de Pedro
Roma revê-se nos seus mártires cristãos, da mesma forma que se olha ao espelho da glória pagã do Império. Nenhuma outra cidade é tão ostensivamente narcísica em relação ao seu passado; mas nenhuma outra, é verdade, se construiu em tão íntima sobreposição de heranças e testemunhos, pedras e memórias, mitos e crenças. A organicidade de Roma faz com que haja igrejas barrocas construídas sobre ruínas de basílicas paleocristãs, estas, por sua vez, erguidas sobre o que restava de templos pagãos de culto romano. E o apogeu papal, nos séculos XVI e XVII, reforçado pela reacção anti-luterana, fez todo o possível (e, até, os impossíveis, que só a arte ou a lenda tornam verosímeis) para vincar esta dupla legitimidade, a de um poder temporal que não conheceu rivais, a de um poder espiritual que se estendeu por todo o mundo.
Mártires, há-os em Roma para todos os gostos e de todas as proveniências. Mas os mártires romanos são os das origens, os que morreram em defesa da sua fé, às mãos das tropas de Nero, Vespasiano e Diocleciano, durante os três séculos que a fé cristã levou a afirmar-se na sede do império. Rasto singular este, só começado a descobrir em finais do século XVI, muito convenientemente, quando se expandia o movimento de contra-reforma desencadeado pelo concílio de Trento: em 1578, quase por acaso, encontra-se um cemitério subterrâneo na Via Salaria, com inscrições dedicadas à memória da mártir Priscila, que teria sido uma diaconisa martirizada em Roma no ano de 228.»
Mártires, há-os em Roma para todos os gostos e de todas as proveniências. Mas os mártires romanos são os das origens, os que morreram em defesa da sua fé, às mãos das tropas de Nero, Vespasiano e Diocleciano, durante os três séculos que a fé cristã levou a afirmar-se na sede do império. Rasto singular este, só começado a descobrir em finais do século XVI, muito convenientemente, quando se expandia o movimento de contra-reforma desencadeado pelo concílio de Trento: em 1578, quase por acaso, encontra-se um cemitério subterrâneo na Via Salaria, com inscrições dedicadas à memória da mártir Priscila, que teria sido uma diaconisa martirizada em Roma no ano de 228.»
António Mega Ferreira, Roma, exercícios de reconhecimento
My Pretty ROSE TREE
A flower was offer'd to me,
Such a flower as May never bore:
But I said "I've a Pretty Rose-tree,"
And I passed the sweet flower o'er.
Then I went to my Pretty Rose-tree,
To tend her by day and by night;
But my Rose turn'd away with jealousy,
And her thorns were my only delight.
Such a flower as May never bore:
But I said "I've a Pretty Rose-tree,"
And I passed the sweet flower o'er.
Then I went to my Pretty Rose-tree,
To tend her by day and by night;
But my Rose turn'd away with jealousy,
And her thorns were my only delight.
William Blake, Sons of Innocence and Songs of Experience
sábado, 7 de maio de 2011
A louçã agulha da avó.
A louçã agulha da avó.
A melopeia libélula do trevo.
O gasómetro, um tamanco,
a serpentina enrolada,
tralha, vassoura.
Um trino o alinhavo e o dedal.
Sótão, traje de cassa.
Insanável tesouro. Uma pomada.
Apronto-lhe a tisana e a botija.
Remendo o penteado ralo.
A eito uma cancela.
o afinco do rebanho rumina.
Um atavio cingiu-a.
Cera na lápara nogueira.
Assoma a brandura e afugenta.
Fareja na alvenaria.
Aproxima e empurra-te,
vaivém, candil, ataúde.
Bolo da sertã em banha
e o perfeito, de farinha cártama.
O arcaico miolo,
a indolente claraboia,
o porte do ganso na capoeira.
Almofariz envernizado,
a mó plana de rebolo
rala a cevada e o milho,
a broa meada na camilha.
A sorça a vinho e alho,
a pimenta, o louro, o colorau,
uma tira de pimento queimão
amainam no fumeiro.
Almenar de folhelho,
bulício soalheiro do curral.
A alpedrada precede o louceiro.
Toucinho na salmoura,
salpicão, paio, farinheira.
Tulha e grinalda.
A perruma de farelo.
Na seara do centeio
a relha dentada de falquejo.
A monda da nabiça na açorda,
o móvel da copa delimita a cozinha
e o perdão.
A melopeia libélula do trevo.
O gasómetro, um tamanco,
a serpentina enrolada,
tralha, vassoura.
Um trino o alinhavo e o dedal.
Sótão, traje de cassa.
Insanável tesouro. Uma pomada.
Apronto-lhe a tisana e a botija.
Remendo o penteado ralo.
A eito uma cancela.
o afinco do rebanho rumina.
Um atavio cingiu-a.
Cera na lápara nogueira.
Assoma a brandura e afugenta.
Fareja na alvenaria.
Aproxima e empurra-te,
vaivém, candil, ataúde.
Bolo da sertã em banha
e o perfeito, de farinha cártama.
O arcaico miolo,
a indolente claraboia,
o porte do ganso na capoeira.
Almofariz envernizado,
a mó plana de rebolo
rala a cevada e o milho,
a broa meada na camilha.
A sorça a vinho e alho,
a pimenta, o louro, o colorau,
uma tira de pimento queimão
amainam no fumeiro.
Almenar de folhelho,
bulício soalheiro do curral.
A alpedrada precede o louceiro.
Toucinho na salmoura,
salpicão, paio, farinheira.
Tulha e grinalda.
A perruma de farelo.
Na seara do centeio
a relha dentada de falquejo.
A monda da nabiça na açorda,
o móvel da copa delimita a cozinha
e o perdão.
Joaquim Manuel Magalhães, Um Toldo Vermelho
sexta-feira, 6 de maio de 2011
20 novembre
«La verità del motto «Rinunciate alla terra e la terra vi sará data per soprammercato» consite in ciò: che avendo rinunciato a tutto, giganteggiano le picole cose che ancora ci restano. È un modo, insomma, di estrarre il sugo dalle minime cose solitamente trascurate.
E poi c'è questo, per gli altri il valore delle cose che esse stessi ci negano, è segnato in gran parte dalla nostra avidità di possederle. Che noi guardiamo da un'altra parte, e subito i proprietari delle cose se le vedranno invilire tra le mani, e ce le tireranno dietro.
Questo per la sapienza mondana. Ma siccome la sentenza vuole avere un riferimento mistico, ne consegue molto male per il misticismo. Che anche Dio faccia il valore delle sue creazioni secondo che noi le desideriamo o meno? Un Dio col complesso d'inferiorità: chi l'avrebbe mai detto?»
E poi c'è questo, per gli altri il valore delle cose che esse stessi ci negano, è segnato in gran parte dalla nostra avidità di possederle. Che noi guardiamo da un'altra parte, e subito i proprietari delle cose se le vedranno invilire tra le mani, e ce le tireranno dietro.
Questo per la sapienza mondana. Ma siccome la sentenza vuole avere un riferimento mistico, ne consegue molto male per il misticismo. Che anche Dio faccia il valore delle sue creazioni secondo che noi le desideriamo o meno? Un Dio col complesso d'inferiorità: chi l'avrebbe mai detto?»
Cesare Pavese, Il Mestiere di vivere
V. Russia e Comunismo
«Il contrasto di individualismo economico ed economia regolata, di capitalismo e socialismo, e l'altro politico di liberalismo e comunismo hanno preso, or, la forma di un dibattito intorno alle condizioni della nuova vita russa, se siano paradisiache o infernali, tollerabili o intollerabili, se indirizzate a un sicuro avvenire o andanti incontro a un necessario rivolgimento, e, per conseguenza, se da prendere a modello o da scansare. Dai libri il dibattito si versa nella quotidiana conversazione, e in quasi tutti i cervelli si agitano fantasmi di diverse sembianze, ammirati e aborriti, invocati o deprecati; il sì e il no si oppongono recisi e tenzonano, ma poco fruttuosamente. In effetto, la nuova forma del problema non è una nova forma, ma una difformazione, un miscuglio di questioni eterogenee, l'immaginazione che prende il luogo del concetto, e la coda messa al posto del capo. Quali siano le condizioni della Russia odierna è una questione storica; quale sia il carattere dell'ideale liberale e qual del comunistico è una questione teorica, di etica e filosofia dello spirito; e dalla prima non v'ha modo di passaggio alla seconda, non si può dedurre niente per la seconda: la prima riguarda una materia da interpretare, la seconda una ricerca di criteri interpretativi, ed è chiaro che quel che dev'essere interpretato, non può diventare, esso, criterio d'interpretazione. Le buone o cattive condizioni della Russia non dimostreranno né la bontà né la malvagità del comunismo come ideale, ma mostreranno soltanto quello che il popolo russo è in uno stadio del suo svolgimento. Quanto all'utilità dell'economia individualistica e di quella regolata, del capitalismo e del socialismo o come altro si chiamino, non tratta neppure di una questione storica, ma di una questione tecnica, la cui soluzione varia secondo luoghi e tempi, e secondo luoghi e tempi è più o meno parziale. Distinguiamo, dunque, i tre problemi, e risparmieremo voce e fiato, il che sará meglio per tutti. Sulla interpretazione storica degli avvenimenti russi dal 1917 in poi cominciamo ad abbondare libri di indagatori ed osservatori seri e onesti, solleciti d'intendere il processo obiettivo e le forze che lo hanno mosso e lo muovono. I tentativi di economia regolata non mancano quasi in nessun paese e in taluno sono molteplici ed estesi, come non mancano le richieste opposte di una ripresa liberistica; e tutto ciò è politica, e politica in atto. Ma, circa il carattere dell'ideale comunistico e di quello liberale, quando lo si riporta alla meditazione del filosofo e dello storico, si scorge il grosso errore nel quale di solito ci si lascia impigliare, e non solo dai sostenitori di una parte, ma anche da quelli dell'altra. L'errore consiste in ciò che si prendono i due princìpi, che animano i due diversi ideali e reggono i due diversi sistemi, quello della libertà e quello della eguaglianza, e, mettendoli sullo stesso piano, si cerca di battere l'uno con l'altro, di scacciare l'uno per l'altro. Ora, né i due princìpi stanno sullo stesso piano, né l'uno potrà mai soppiantare l'altro. L'umanità ha sete di eguaglianza, che è ciò che si chiama giustizia; e il lavoro dell'eguagliare e di assidere sempre più largamente la giustizia è il lavoro incessante della legislazione e della civiltà. Ma non meno l'umanità ha bisogno della disuguaglianza, di diversità nelle attitudini, di differenziazione sociale, dell'individuo che accette e difende l'esistente e di quello che non lo accetta e che lo sovverte, del contrasto tra conservatori e rivoluzionari in tutti i campi, dal campo del pensiero al campo della politica; ha bisogno, insomma, di tutte le cose, che formano la storia, e che si rispecchiano nella concezione liberale, sommamente storica. La quale storia, senza dubbio, non sta sullo stesso piano, ma sta più in su del bisogno di eguaglianza, e lo soddisfa volta per volta, come può, come le conviene pei suoi stessi fini di innalzamento dell'umanità, e sempre più largamente ma sempre limitatamente, perché non si può pensare che quello venga in modo pieno e assoluto attuato, senza pensare, per assurdo, che con ciò la vita si arresterebbe, né varrebbe a sostituirla il vagheggiato meccanismo degli eguali, che è un'astrazione e non è una possibilità.
Perché rinnovo questi schiarimenti e queste distinzioni? Per la vana speranza di ottenere che «eguaglianza» e «libertà» non siano, come si usa, né parallelizzate né contraposte, ma concepite nella necessaria loro relazione funzionale, e che gli uni smettano dal negare l'idea di libertà, gli altri quella di eguaglianza. Dico vana speranza, perché i ragionatori ad orecchio, dominati dalle passioni e dell'immaginazione, sono legione; e gli spiriti avveduti, gl'intelletti critici, le menti comprensive sono pochi. Ma, in ogni caso, è bene che questi pochi tengano ben chiaro e presente in che consiste l'errore, tra ingenuo e sofistico, che ha avuto corso nei secoli e ora sembra riasceso ai sommi onori.»
Perché rinnovo questi schiarimenti e queste distinzioni? Per la vana speranza di ottenere che «eguaglianza» e «libertà» non siano, come si usa, né parallelizzate né contraposte, ma concepite nella necessaria loro relazione funzionale, e che gli uni smettano dal negare l'idea di libertà, gli altri quella di eguaglianza. Dico vana speranza, perché i ragionatori ad orecchio, dominati dalle passioni e dell'immaginazione, sono legione; e gli spiriti avveduti, gl'intelletti critici, le menti comprensive sono pochi. Ma, in ogni caso, è bene che questi pochi tengano ben chiaro e presente in che consiste l'errore, tra ingenuo e sofistico, che ha avuto corso nei secoli e ora sembra riasceso ai sommi onori.»
Benedetto Croce, Dal libro dei pensieri
quinta-feira, 5 de maio de 2011
The Base of All Metaphysics
And now gentlemen,
A word I give to remain in your memories and minds,
As base and finale too for all metaphysics.
(So to the students the old professor,
At the close of his crowded course.)
Having studied the new and antique, the Greek and Germanic
systems,
Kant having studied and stated, Fichte and Schelling and Hegel,
Stated the lore of Plato, and Socrates greater than Plato,
And greater than Socrates sought and stated, Christ divine having
studied long,
I see reminiscent to-day those Greek and Germanic systems,
See the philosophies all, Christian churches and tenets see,
Yet underneath Socrates clearly see, and underneath Christ the
divine I see,
The dear love of man for his comrade, the attraction of friend to
friend,
Of the well-married husband and wife, of children and parents,
Of city for city and land for land.
A word I give to remain in your memories and minds,
As base and finale too for all metaphysics.
(So to the students the old professor,
At the close of his crowded course.)
Having studied the new and antique, the Greek and Germanic
systems,
Kant having studied and stated, Fichte and Schelling and Hegel,
Stated the lore of Plato, and Socrates greater than Plato,
And greater than Socrates sought and stated, Christ divine having
studied long,
I see reminiscent to-day those Greek and Germanic systems,
See the philosophies all, Christian churches and tenets see,
Yet underneath Socrates clearly see, and underneath Christ the
divine I see,
The dear love of man for his comrade, the attraction of friend to
friend,
Of the well-married husband and wife, of children and parents,
Of city for city and land for land.
Walt Whitman, Calamus
Portugal
«Mais do que nunca, a Europa tem agora essa vocação de universalidade, e podemos pensar a nossa cultura, a cultura portuguesa, contrariamente àquilo que a Geração de 70 pensava, ao considerar a cultura apenas a mais alta, a cultura-conceito, a cultura científica, e que nos separava dos outros porque nós não estávamos à altura das criações. Tudo isso desapareceu. Um coisa curiosa foi que quando os povos mais adiantados da Europa entraram em contacto com o Novo Mundo - como nós, que fomos os primeiros - a maioria deles tinha uma consciência extrema da superioridade humanística cultural. Tal como a própria Grécia considerava aqueles que não falavam grego, os outros foram vistos primeiro como bárbaros, selvagens, como se dizia. Ora, quando lemos a carta de Pero Vaz de Caminha ficamos muito admirados porque os portugueses não se espantaram com coisa nenhuma. Contrariamente àquilo que aconteceu com os conquistadores espanhóis, os portugueses nunca duvidaram que aqueles sujeitos - sobretudo as sujeitas - que eles encontraram fossem seres humanos: não só eram seres humanos, como eram seres humanos maravilhosos. Começou aí uma espécie de leitura que vai criar muitas desilusões a uns e a outros, mas na verdade podemos considerar uma benção o facto de essa nossa espécie de inocência - nossa, dos portugueses, menos hipercultivados e sofisticados em relação ao que já era a grande cultura europeia -, o facto de essa nossa ignorância divina não ter excluído da humanidade aqueles primeiros sujeitos com que nos encontrámos. (...)
Por isso eu acho que nós não temos de nos espantar de nos termos oferecido para colaborar nesta celebração da cultura europeia, que já não é a cultura europeia mitificada, hegemónica e hiperbólica, na sua pretensão de de ser o paradigma universal, da Geração de 70, que eu tanto admiro, mas que é qualquer coisa de mais modesto e ao mesmo tempo mais sábio. Eu penso que a nossa própria modéstia é uma riqueza em relação àquilo que outros países da Europa vivem, egocentricamente, pensando que a sua cultura é a cultura do paradigma universal.»
Por isso eu acho que nós não temos de nos espantar de nos termos oferecido para colaborar nesta celebração da cultura europeia, que já não é a cultura europeia mitificada, hegemónica e hiperbólica, na sua pretensão de de ser o paradigma universal, da Geração de 70, que eu tanto admiro, mas que é qualquer coisa de mais modesto e ao mesmo tempo mais sábio. Eu penso que a nossa própria modéstia é uma riqueza em relação àquilo que outros países da Europa vivem, egocentricamente, pensando que a sua cultura é a cultura do paradigma universal.»
Eduardo Lourenço,Pequena meditação europeia
terça-feira, 3 de maio de 2011
242
«Educação milagrosa. O interesse pela educação só adquirirá grande força a partir do momento em que se renunciar à fé num deus e nao sua solicitude: tal como a terapêutica só pôde florescer quando cessou a crença em curas milagrosas. Até agora, porém, toda a gente acredita ainda na educação milagrosa: é que foi da maior desordem, da confusão dos fins, do desfavor das circunstâncias, que se viu surgir os homens mais fecundos, mais poderosos; pois como seria isso natural? Ora, em breve,também nesses casos se olhará mais de perto, se examinará mais cautelosamente: e nunca aí se descobrirá milagres. Em condições idênticas, numerosas pessoas perecem continuamente; o único indivíduo salvo, em compensação, tornou-se em geral mais forte, porque suportou essas más circunstâncias, graças a uma inquebrantável energia inata, e ainda exercitou e aumentou essa energia: assim se explica o milagre. Uma educação, que já não creia em milagres, terá de tomar em conta três coisas: primeiro, quanta energia se herda?; segundo, por que meio ainda pode ser despertada nova energia?; terceiro, como pode o indivíduo ser adaptado àquelas exigências tão excessivamente variadas da civilização, sem que estas o perturbem e despedacem a sua unidade - em suma, como pode o indivíduo ser incluído no contraponto da cultura privada e pública, como pode ele, ao mesmo tempo, dirigir a melodia e acompanhar como melodia?»
Nietzsche, Humano, demasiado humano
segunda-feira, 2 de maio de 2011
No Longer Very Clear
No longer that I can no longer remember very well
the time when we first began to know each other.
However, I do remember very well
the first time we met. You walked in sunlight,
holding a daisy. You said, "Children make unreliable witnesses."
Now, so long after that time,
I keep the spirit of the throbbing still.
The ideas are still the same, and they expand
to fill vast, antique cubes.
My daughter was reading one just the other day.
She said, "How like pellucid statues, Daddy. Or like a...
an engine."
In this house of blues the cold creeps stealthily upon us.
I do not dare to do what I fantasize doing.
With time the blues congeals into roomlike purple
that takes the shape of alcoves, landings...
Everything is like something else.
I should have waited before I learned this.
John Ashbery, Notes form the air, selected later poems
Sofrimento
«- O sofrimento faz vir ao de cima o que há de mais baixo, de mais covarde no homem. No sofrimento há uma etapa a ultrapassar, para lá da qual nos tornamos uma besta: sacrificaríamos a nossa alma e, sobretudo, a do próximo, por um naco de pão, por um minuto de calor, por um segundo de esquecimento e de sono. Os santos são aqueles que morrem antes do fim da história. Os outros, os que vão até ao fim do seu destino, já não ousam olharem-se no espelho, com medo que ele reflicta a sua imagem interior: a de um monstro que ri das mulheres infelizes e dos santos que estão mortos...»
Elie Wiesel, Dia
domingo, 1 de maio de 2011
Ornamento e Delitto
«L'embrione umano attraversa nel corpo materno tutte le fasi di svilupo deli regno animale. Quando l'uomo nasce, le sue impressioni sensoriali sono uguali a quelle di un cucciolo. La sua infanzia passa attraverso tutte le trasformazioniche seguono la storia dell'umanità. A due anni egli vede le cose come un Papua, a quattro come un antico Germano, a sei come Socrate, a otto come Voltaire. Quando ha otto anni acquista coscienza del colore violetto, il colore che fu scoperto nel secolo diciottesimo, poiché prima la viola era azzurra e la murice era rossa. Il fisico ci indica oggi certi colori dello spettro che già possiedono un nome, ma la cui conoscenza è riservata alle generazioni future.
Il bambino à amorale. Anche il Papua lo è, per noi. Il Papua uccide i suoi nemici e se li mangia. Non è un delinquente. Se però l'uomo moderno uccide e divora qualcuno,è un deliquente o un degenerato. Il Papua copre di tatuaggi la propria pelle, la sua barca, il suo remo, in breve ogni cosa che trovi a portata di mano. Non è un delinquente. Ma l'uomo moderno che si tatua è un delinquente o un degenerato. Vi sono prigioni dove l'otanta per cento dei detenuti à tatuato. Gli individui tatuati che non sono in prigione sono delinquenti latenti o aristocratici degenerati. Se avviene che un uomo tatuato muoia in libertà, significa semplicemente che è morto qualche anno prima di aver potuto compiere il proprio delitto.
L'impulso a decorare il proprio volto e tutto quanto sia a portata di mano è la prima origine dell'arte figurativa. È il balbettio della pittura. Ogni arte è erotica.
Il primo ornamento che sia stato ideato, la croce, era di origine erotica. Esso fu la prima opera d'arte, la prima manifestazione d'arte che il primo artista scarabocchiò su una parete, per liberarsi di una sua esuberanza. Un tratto orizzontale: la donna che giace. Un trato verticale: il maschio che la penetra. L'uomo che creò questo segno provava lo stesso impulso di Beethoven, era nello stesso cielo nel quale Beethoven creò la Nona.»
Il bambino à amorale. Anche il Papua lo è, per noi. Il Papua uccide i suoi nemici e se li mangia. Non è un delinquente. Se però l'uomo moderno uccide e divora qualcuno,è un deliquente o un degenerato. Il Papua copre di tatuaggi la propria pelle, la sua barca, il suo remo, in breve ogni cosa che trovi a portata di mano. Non è un delinquente. Ma l'uomo moderno che si tatua è un delinquente o un degenerato. Vi sono prigioni dove l'otanta per cento dei detenuti à tatuato. Gli individui tatuati che non sono in prigione sono delinquenti latenti o aristocratici degenerati. Se avviene che un uomo tatuato muoia in libertà, significa semplicemente che è morto qualche anno prima di aver potuto compiere il proprio delitto.
L'impulso a decorare il proprio volto e tutto quanto sia a portata di mano è la prima origine dell'arte figurativa. È il balbettio della pittura. Ogni arte è erotica.
Il primo ornamento che sia stato ideato, la croce, era di origine erotica. Esso fu la prima opera d'arte, la prima manifestazione d'arte che il primo artista scarabocchiò su una parete, per liberarsi di una sua esuberanza. Un tratto orizzontale: la donna che giace. Un trato verticale: il maschio che la penetra. L'uomo che creò questo segno provava lo stesso impulso di Beethoven, era nello stesso cielo nel quale Beethoven creò la Nona.»
Adolf Loos, «Ornamento e Delitto», in Parole nel vuoto
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