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Aluno e Professor. Sempre aluno.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Gluck-Iphigénie en Tauride -"O malheureuse..."-Delunsch- Minkowski-Les Musiciens du Louvre

Rosh Hashaná

«No último dia do calendário anual judeu, a criança assiste à cerimónia solene do Rosh Hashaná. Ela ouve milhares de escravos gritarem a uma só voz: «Bendito seja o nome do Eterno!». Ainda não há muito tempo, também ela se tinha prostrado com tamanha adoração, tamanho receio, tamanho amor! Mas, naquele dia, ela mantém-se direita, ela resiste. A criatura humilhada e ofendida para lá do que é concebível pelo espírito e pelo coração desafia a divindade cega e surda: «Hoje, eu já não implorava. Já não era capaz de me lamentar. Sentia-me, pelo contrário, muito forte. Era eu o acusador. E o acusado era Deus. Os meus olhos estavam abertos e eu estava só, terrivelmente só no mundo, sem Deus, sem homem. Sem amor nem piedade. Nada mais era do que cinzas, mas sentia-me mais forte do que aquele Todo Poderoso ao qual eu tinha unido a minha vida durante tanto tempo. No meio daquela assembleia religiosa, eu era um observador estrangeiro.»

François Mauriac, in Wiesel, Elie, Noite 

domingo, 10 de abril de 2011

Virgem Negra



O título do livro de Mário de Cesariny é suficientemente sugestivo e, ao mesmo tempo, parece indicar um caminho particular para uma nova maneira de ler Fernando Pessoa. Com efeito, se entendermos que o “Virgem Negra” nomeado por Mário de Cesariny é Fernando Pessoa, convém tentar compreender a relação de sentido que, neste contexto, permite constituir esta associação, até porque parece existir a um nível cabalístico uma relação entre a figura da Virgem Negra e aquilo que é considerado como o “feminino sombrio”, resultante da fuga de Lilith do Paraíso, tendo, posteriormente, ido habitar as sombras.
Não deixa de ser pertinente o facto de a Fernando Pessoa Mário Cesariny associar, embora através de uma inversão de género, um elemento originariamente feminino, para mais se tivermos em consideração algumas passagens de Fernando Pessoa, nomeadamente, quando Álvaro de Campos, nas «Notas para a Recordação do Meu Mestre Caeiro», afirma que, por ter conhecido Caeiro, “Ricardo Reis deixou de ser mulher para ser homem, ou deixou de ser homem para ser mulher”. Cesariny, através da ambiguidade suscitada pelo título da sua obra, não estará senão a atribuir um grau de visibilidade particular àquilo que no interior da obra de Fernando Pessoa se pode encontrar.
Num outro sentido, Cesariny ilustra ao longo da obra o modo como o seu Fernando Pessoa se expõe, contaminado pela existência sombria da Virgem Negra, daí resultando um exercício paródico, do interior do qual emergirá, então, um Fernando Pessoa, agora desprovido do véu de pudor e contenção que metodicamente emana dos seus textos. Deste modo, Mário Cesariny apresenta um Fernando Pessoa histriónico, nascido do original, mas dele intuindo uma exterioridade apenas pressentida. Por outras palavras, ao associar a imagem da Virgem Negra a Fernando Pessoa, Cesariny faz sobressair uma espécie de encobrimento e de controlo dos sentidos que emerge muitas vezes dos textos de Pessoa, até em resultado de uma estratégia compositória e organizacional dos seus textos. Assim sendo, através de uma composição particular do discurso, Cesariny enuncia variantes dos textos de Fernando Pessoa, como se deste tivessem nascido, pelo menos de uma maneira aparente, sendo capaz de sugerir ao leitor a ligação imediata entre muitos dos textos contidos na sua obra e aqueles que, na obra de Pessoa têm com ele uma afinidade particular e reconhecível.
Esta estratégia de Cesariny envolve, além disso, outras peculiaridades, nomeadamente se tivermos em atenção o facto de, ao proceder deste modo, poder colocar-se numa posição de onde possa assumir uma actualização de Fernando Pessoa, na medida em que, partindo dos textos deste autor, que, funcionando como a música de fundo, cujo ritmo, variável, se estende do mais grave ao mais agudo, expõe uma visão particular de algumas das suas marcas fundamentais. Cesariny, num certo sentido, pelo modo como recria textos de Fernando Pessoa, escreve como se fosse Fernando Pessoa, ou então como Pessoa se lhe mostra. No fundo, Virgem Negra constitui-se como a obra em que Mário de Cesariny lê Fernando Pessoa, e em que, levando até às últimas consequências o seu projecto de actualização do autor, poderá ser entendido como lugar particular da observação e da reunião de Pessoa e dos seus heterónimos.
A actualização de Fernando Pessoa que Cesariny leva a cabo corresponde a uma tarefa que visa a exposição daquilo que Pessoa esconde nos seus textos, deles apenas se podendo intuir. De acordo com este ponto de vista, Mário de Cesariny apresenta-se como um Fernando Pessoa de contornos diferentes porque são aqueles que resultam de uma leitura e de um posicionamento particular em relação a este autor.
Poder-se-ia pensar à partida que uma obra desta natureza se arriscaria a destruir aquela que a origina. Contudo, o modo como aquilo que se intui em Fernando Pessoa resulta reescrito em Cesariny, apenas parece expor de forma mais visível o lado sombrio do Virgem Negra. Ao carácter sombrio do texto de Pessoa, Cesariny contrapõe uma luminosidade e, deste modo, servindo-se de uma organização particular, Cesariny reconhece um Fernando Pessoa, em completa exposição. O Fernando Pessoa comedido, ponderado na execução de um plano deliberado surge, deste modo, pela mão de Cesariny, desnudado, exposto de uma forma anteriormente apenas intuída.
De outro modo, a angústia de reconhecimento de Fernando Pessoa, que podemos encontrar por exemplo na carta a Gaspar Simões, de 1929, embora tendo sido resolvida a seu tempo pelo próprio Pessoa, nomeadamente através da ideia de que os grandes só são reconhecidos depois de morrerem, essa angústia encontra no texto de Cesariny uma nova maneira de ser resolvida, através do excesso, numa espécie de exercício ejaculatório, decorrente do qual o poeta exprime a explosão decorrente da eliminação da instância censória que o condiciona.
Cesariny vê os textos de Fernando Pessoa, descobrindo-lhes a face, desviando o véu que o pudor lhes poderá ter imposto. É um Fernando Pessoa “sem pudor” aquele que nos é apresentado no livro de Cesariny e, mesmo que em alguns momentos, o exercício de imaginação do poeta releve referências excessivas, o facto é que, no seu conjunto, Virgem Negra se apresenta como espaço onde irrompe a contenção ponderada e construída metodicamente ao longo da obra de Fernando Pessoa.
Mário de Cesariny, em O Virgem Negra, a certa altura, por via do modo como acolhe em si os textos de Fernando Pessoa, e, partindo da ideia de que ele terá composto a obra como se fosse Pessoa, parece colocar-se na situação de alguém a quem é dada a possibilidade de se sentar à mesa com outros convivas. Esses convivas são especiais e ainda mais especiais se tornam por terem sido escolhidos por ele próprio. Além disso, visto que o carácter excepcional desses convivas remete para a circunstância de todos eles emanarem de uma fonte comum, o exercício de Cesarinypessoano, de nele entrar como seu membro constitutivo. Se assim o entendermos, o Virgem Negra passará a permitir também uma articulação particular entre o próprio Cesariny e aquele lado que, embora arrebatado em certos momentos, encontra também, através da rebeldia e da não submissão, o lado sombrio que o autor reconhece em Pessoa, tornando-se, deste modo, também ele um elemento essencial da discussão, enquanto representação da “Virgem Negra”, numa outra perspectiva.
Ao assumir este lugar, Cesariny estabelece uma síntese entre aquilo que corresponde à herança recebida pelo universo pessoano e a sua própria autonomia perante os textos, que lhe permite escrever com eles, a partir deles, muito mais do que se o fizesse sobre eles, na perspectiva de um eventual novo elemento heteronímico (?) que agora retomasse um discurso inesgotável.      

sábado, 9 de abril de 2011

Giovanni Pierluigi da Palestrina Stabat Mater

Almas Mortas

«Sobakévitch preparou-se para ouvir em que consistia o negócio inclinando um pouco a cabeça.
Tchítchikov começou de muito longe, abordou os problemas de todo o Estado russo, louvando muito a sua extensão, dizendo que nem mesmo a mais antiga monarquia romana era tão grande e que os estrangeiros tinham todas as razões para se admirarem... Sobakévitch ouvia com a cabeça inclinada. Disse depois que, de acordo com as leis vigentes neste Estado incomparável pela sua glória, as almas da gleba, depois de terminada a sua vida terrena, continuavam a figurar nas listas do censo ao lado das almas vivas, até à elaboração de novas listas, para que assim não sobrecarregassem as instituições públicas com inúmeras declarações individuais insignificantes e inúteis, e para que se não agravasse a complicação do mecanismo estatal, já sem isso bastante complicado... Sobakévitch continuava a ouvir com a cabeça inclinada... E mais disse que, apesar de toda a sensatez desta medida, ela não deixava de resultar onerosa para muitos proprietários, obrigando-os a pagar a tributação tal como pelos objectos vivos, e que ele, Tchítchikov, votando um respeito pessoal ao senhor Sobakévitch, estava até pronto a tomar a seu cargo uma parte desse fardo verdadeiramente pesado. No respeitante à matéria principal, Tchítchikov exprimiu-se com muito cuidado: não chamou mortas às almas, mas tão-só inexistentes.
Sobakévitch ouvia sem mudar de posição, com a cabeça inclinada, não se lhe desenhando na cara qualquer expressão, nem nada que se lhe assemelhasse. Parecia que naquele corpo não havia alma ou que, então, se a havia, ela estava nalgum outro lugar, tal como o bruxo Kochei Imortal escondera a sua atrás dos montes sob uma carapaça tão grossa que mexer no fundo dessa alma não produzia qualquer efeito à superfície.
- Então?... - disse Tchítchikov, esperando pela resposta com alguma emoção.
- Deseja almas mortas? - perguntou Sobakévitch de modo muito singelo e sem o mínimo espanto, como se se tratasse de uma compra de trigo.
- Sim - respondeu Tchítchikov e voltou a suavizar a expressão para «inexistentes».
- Arranjam-se, por que não?... - disse Sobakévitch.
- Quer dizer que, se dispõe delas, gostará sem dúvida... de se desfazer delas?
- Faça o favor, concordo em vender-lhas - disse Sobakévitch, levantando um pouco a cabeça e tendo já compreendido que o comprador levava alguma vantagem neste négócio.
«C'os diabos! - pensou Tchítchikov. - Este já fala em vender, quando eu ainda nem sequer tive tempo de lho insinuar!»
- Pois, mas qual seria o seu preço? Aliás, nesta matéria... até é estranho falar de preço...
- Para não o prejudicar, cem rublos cada uma! - disse Sobakévitch.»

Nikolai Gogol, Almas Mortas

Vida

«E - Qual pensas tu que é, a não ser a consciência da vida?
A - Então parece-te melhor a consciência da vida do que a própria vida? Ou talvez entendas que a consciência é um certo tipo de vida superior e mais pura, visto que só aquele que entende a pode conhecer? E o que é entender, a não ser um modo de vida mais perfeito e mais esclarecido pela própria luza da mente? Porque, se não me engano, não foi qualquer coisa que antepuseste à vida; afinal, antepuseste, a uma certa vida, uma outra vida melhor.»

Santo Agostinho, Diálogo sobre o Livre Arbítrio

Cavafy et Eliot

«Il pourrait avoir raison, Cavafy pourrait être une Souda versifiée, comme Eliot un Frazer versifié, n'était cette sensibilité qu'ils possèdent l'un et l'autre. La sensibilité fait le poète. L'intelligence, la finesse logique, la connaissance sont pour lui des choses très importantes, mais la sensibilité est la pierre angulaire. «C'est le coefficient sensible de l'intelligence qui fait la différence», dira Eliot.
Voilà l'important. Et la sensibilité d'Eliot comme celle de Cavafy possèdent à mon avis une caractéristique commune bien définie. C'est une chose qui retient l'attention d'Eliot, et qu'il souligne chez les poètes anglais «métaphysiques» et leurs contemporains: «Il y a, dit-il, une prise de possession directe et sensuelle de la pensée, una re-création de la pensée devenue sentiment». A tout moment il fait observer que chez les poètes majeurs de l'époque de John Donne, il n'y avait pas de séparation entre l'expérience de la vie et l'expérience de la connaissance; que les choses qu'ils tiraient des livres, de Plutarque, de Sénèque, de Montaigne, et les choses qu'ils tiraient de leur expérience personnel, battent comme un seul coeur, de la même palpitation vivante.»

Georges Séféris, Cavafy et Eliot, un parallèle essai de Georges Séféris


Umanità

«Una cosa ho capito tardi, ed è che io, se si proietta tutto ciò sul piano dei più vasti rapporti umani, sono fatto esattamente come lei. Ho passato la parte migliore della mia esistenza a mettere a nudo le debolezze dell'uomo, quale esso ci appare nelle civiltà storiche. Ho analizzato il potere e l'ho scomposto nei suoi elementi con la stessa spietata lucidità con cui mia madre analizzava i processi della sua famiglia. Ben poco del male che si può dire dell'uomo e dell'umanità io non l'ho detto. E tuttavia l'orgoglio che provo per essa è ancora così grande che solo una cosa io odio veramente: il suo nemico, la morte.»

Elias Canetti, La Lingua Salvata, Storia di una giovinezza 

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Ludovico Einaudi - "Divenire" - Live @ Royal Albert Hall London

Noite

Depois de ter voltado à realidade, experimentei abrandar um pouco o passo. Mas não era possível. Aquelas vagas de homens rebentavam quais ondas de um mar encapelado e ter-me-iam esmagado como se eu fosse uma formiga.
Já não passava de um sonâmbulo. Acontecia-me fechar os olhos e era como se corresse a dormir. De vez em quando, alguém me empurrava violentamente por trás e eu acordava. O outro berrava: «Corre mais depressa. Se não queres avançar, deixa passar os outros.» Mas bastava-me fechar os olhos durante um segundo para ver desfilar todo um mundo, para sonhar toda uma outra vida.
Estrada sem fim. Deixar-se empurrar pela multidão desordenada, deixar-se arrastar pelo destino cego. Quando os SS estavam cansados, eram rendidos. A nós, ninguém nos rendia. Com os membros transidos pelo frio, apesar da corrida, a garganta seca, esfomeados, esfalfados, nós continuávamos.
Éramos os donos da natureza, os donos do mundo. Tínhamos esquecido tudo, a morte, o cansaço, as necessidades fisiológicas. Mais fortes do que o frio e a fome, mais fortes do que os disparos e o desejo de morrer, condenados e vagabundos, simples números, nós éramos os únicos homens sobre a terra.
Por fim, a estrela da manhã surgiu no céu cinzento. Um vaga claridade começava a aparecer no horizonte. Nós não podíamos mais, estávamos sem forças, sem ilusões.»

Elie Wiesel, Noite 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

XIII

Anda, vou-te mostrar a terra
dos teus pais, avós, antepassados
tão antigos que os podes escolher.
Este aqui é noé, de barba por fazer;
meteu na arca puro e impuro, bem e mal,
inventou o vinho, homem melhor
da sua geração (não é grande elogio),
teve filhos, netos, é de crer que morreu.
Estoutro, não sei bem, era pirata na malásia,
Vês as colinas? São tuas, quando
as olhas a direito. Realmente tuas,
parte de um mundo teu.
Sim, isto são filosofias,
tens razão. (E tem graça ao ter razão).
Anda daí, vou mostrar-te o colete de forças
onde era costume, sabes, tratar casos assim.

António Franco Alexandre, Quatro Caprichos


sábado, 2 de abril de 2011

Fragment of a Last Judgment



"Fragment of a Last Judgment" 1466?, 64x114 cm, Alte Pinakothek, Munich, Dendrochronlogical Date: 1440

12 giugno (1939)

«Ebbero molto più senso del passato i popoli ai primordi della storia che non i successivi. Quando un popolo non ha più un senso vitale del suo passato si spegne. La vitalità creatrice è fatta di una riserva di passato. Si diventa creatori - anvhe noi - quando si ha un passato. La giovinezza dei popoli è una ricca vecchiaia (genius is wisdom and youth).
La creazione nasce dalla innumerevole ripetizione di un atto, che a forza di routine diventa stucchevole. Poi viene un periodo di smarrimento, di tedio. Allora l'atto dimenticato per la sua banalità, risorge come miracolo, come rivelazione, ed ecco lo slancio creatore (...).»

Cesare Pavese, Il Mestiere di Vivere

15 maggio (1939)

«La politica è l'arte del possibile. Tutta la vita è politica.

La massima sventura à la solitudine, tant'è vero che il supremo conforto - la religione - consiste nel trovare una compagnia che non falla, Dio. La preghiera è lo sfogo come con un amico. L'opera equivale alla preghiera, perché mette idealmente a contatto con chi ne usufruirà. Tutto il problema della vita è dunque questo: come rompere la propria solitudine, come comunicare con altri. Cosí si spiega la persistenza del matrimonio, della paternità, delle amicizie. Perché poi qui stia la felicità, mah! Perché si debba star meglio comunicando con un altro che non stando soli, è strano. Forse è solo un'illusione: si sta benissimo soli la maggior parte del tempo. Piace di tanto in tanto avere un otre in cui versari e poi bervi se stessi: dato che dagli altri chiediamo ciò che abbiamo già in noi. Mistero perché non ci basti scrutare e bere in noi e ci occorra riavere noi dagli altri. (Il sesso à un incidente: ciò che ne riceviamo à momentaneo e casuale; noi miriamo a qualcosa di più riposto e misterioso di cui il sesso è solo un segno, un simbolo).

Cesare Pavese, Il Mestiere di Vivere 

Liszt - Dante Symphony - 2. Purgatorio (3/3). Magnificat

Liszt - Dante Symphony - 2. Purgatorio (2/3)

Liszt - Dante Symphony - 2. Purgatorio (1/3)

L'inferno di Dante Documentario 6/6

L'inferno di Dante Documentario 5/6

L'inferno di Dante Documentario 4/6

L'inferno di Dante Documentario 3/6

L'inferno di Dante Documentario 2/6

L'inferno di Dante Documentario 1/6

sexta-feira, 1 de abril de 2011

VESTI LA GIUBBA (I Pagliacci - Ruggero Leoncavallo) - LUCIANO PAVAROTTI (legendado)

Sonnet to Liberty

Not that I love thy children, whose dull eyes
See nothing save their own unlovely woe,
Whose minds know nothing, nothing care to know,-
But that the roar of the Democracies,
Thy reigns of Terror, thy great Anarchies,
Mirror my wildest passions like the sea
And give my rage a brother - Liberty!
For this sake only do thy dissonant cries
Delight my discreet soul, else might all kings
By bloody knout or treacherous cannonades
Rob nations of their rights inviolate
And I remain unmoved - and yet, and yet,
These Christs that die upon the barricades,
God knows it I am with them, in some things.

Oscar Wilde