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Aluno e Professor. Sempre aluno.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Agamben


I latini chiamavano Genius il dio a cui ciascun uomo viene affidato al momento della nascita. E Genius è il principio che regge l’intera sua esistenza. E’ lui che festeggiamo il giorno della nostra nascita. E’ pensando a lui che ci battiamo la fronte quando crediamo di esserci dimenticati di noi stessi. Al Genio bisogna indulgere, è inutile dirsi che le sue - le nostre - sono solo manie! Contrastare il proprio Genio è il modo di rendersi triste la vita, imbrogliare se stessi… Ancora una volta, con singolare felicità, Giorgio Agamben insegue una parola nei suoi meandri antichi e negli usi quotidiani, e man mano che ne rivela il senso e la richezza, la nostra vita cambia aspetto, ci diventa famiiare e scopre una nuova fiducia, quella nel proprio Genio. Dopo il giorno del Giudizio, Agamben ci dà una nuova prosa, dove il pensiero trova il suo stato di grazia.

Genius

«A espiritualidade, já se disse, é, antes de mais nada, aquela consciência do facto de que o ser identificado não é inteiramente identificado, que contém ainda uma certa carga de realidade não identificada, que há não só que conservar, como também respeitar e, de certo modo, honrar, como se honram as próprias dívidas. Mas Genius não é, apenas, espiritualidade, não tem a ver, unicamente, com as coisas que consideramos mais nobres e elevadas. Todo o impessoal em nós é genial, genial é, antes do mais, a força que impele o sangue nas nossas veias ou nos faz mergulhar no sono, a potência ignorada que, no nosso corpo, regula e distribui tão suavemente a tepidez e relaxa ou contrai as fibras dos nossos músculos. É Genius que, obscuramente, pressentimos na intimidade da nossa vida fisiológica, ali onde o mais nosso é o mais estranho e impessoal, o mais próximo é o mais remoto e inapropriável. Se não nos abandonássemos a Genius, se fôssemos unicamente Eu e consciência, não poderíamos nem sequer urinar. Viver com Genius significa, neste sentido, viver na intimidade de um ser estranho, estar constantemente em relação com uma zona de não-conhecimento. Mas esta zona de não-conhecimento não é uma remoção, não afasta nem desloca as experiências do consciente para o inconsciente, onde se sedimenta como um passado inquietante, pronto a re-florar à superfície em sintomas e nevroses. A intimidade com uma zona de não-conhecimento é uma prática mística quotidiana em que o Eu, numa espécie de esoterismo especial e alegre, assiste, sorridente, ao seu próprio esfacelamento e, quer se trate da digestão dos alimentos ou da iluminação da mente, testemunha, incrédulo o seu próprio incessante faltar. Genius é a nossa vida, naquilo que não nos pertence.»

Giorgio Agamben, Profanações

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Orfeo

The Oven Bird

There is a singer everyone has heard,
Loud, a mid-summer and a mid-wood bird,
Who makes the solid tree trunks sound again.
He says that leaves are old and that for flowers
Mid-summer is to spring as one to ten.
He says the early petal-fall is past
When pear and cherry bloom went down in showers
On sunny days a moment overcast;
And comes that other fall we name the fall.
He says the highway dust is over all.
The bird would cease and be as other birds
But that he knows in singing not to sing.
The question that he frames in all but words
Is what to make of a diminished thing.

Robert Frost

Fitzgerald

F. Scott Fitzgerald

«- Deves começar a pôr dinheiro de parte - garantia-me há pouco o Rapaz de Futuro. - Achas que é muito fino gastar tudo quanto ganhas, mas qualquer dia ainda te vês obrigado a recorrer à sopa dos pobres.
Aborrecia-me, esta conversa, mas bem sabia que era impossível fazê-lo calar-se e pedi-lhe então que me dissesse como devia actuar.
- É muito simples - respondeu com alguma impaciência - basta fazeres um depósito impossível de levantar, mesmo que queiras...
Não era a primeira vez que eu ouvia isto. Tratava-se do Sistema Número 999. Desde o início da minha carreira, há quatro anos, que eu experimentava o Número 1. Um mês antes de casar eu tinha ido falar com um corretor de fundos e pedi-lhe parecer sobre a forma de investir dinheiro.
- Só mil dólares - confessei - mas parece-me acertado fazer já economias.
Reflectiu, o homem.
- Não opte pelas obrigações Liberty - aconselhou - que são muito fáceis de trocar por dinheiro. Precisa é de um investimento saudável e pouco móvel, que não possa de cinco em cinco ser mexido.
Acabou por me escolher um título que rendia sete por cento e não tinha cotação na Bolsa. E assim fiz o empate dos mil dólares, dando início à minha carreira de capitalista.
Que terminou nesse mesmo dia.»

F. Scott Fitzgerald, «Viver Um Ano com 36000 Dólares», in A Fenda Aberta

Michelangelo Buonarroti


Jeremias

Cá nesta Babilónia donde mana

Cá nesta Babilónia, donde mana
Matéria a quanto mal o mundo cria;
Cá, onde o puro Amor não tem valia,
Que a Mãe, que manda mais, tudo profana;

Cá, onde o mal se afina, o bem se dana,
E pode mais que a honra a tirania;
Cá, onde a errada e cega Monarquia
Cuida que um nome vão a Deus engana;

Cá, neste labirinto, onde a Nobreza,
O Valor e o Saber pedindo vão
Às portas da Cobiça e da Vileza;

Cá, neste escuro caos de confusão,
Cumprindo o curso estou da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!

Camões

Jeremias

«1A palavra que falou o SENHOR contra a Babilónia, contra a terra dos caldeus, por intermédio de Jeremias, o profeta. 2Anunciai entre as nações; e fazei ouvir, e arvorai um estandarte, fazei ouvir, não encubrais; dizei: Tomada está Babilónia, confundido está Bel, espatifado está Merodaque, confundidos estão os seus ídolos, e quebradas estão as suas imagens. 3Porque subiu contra ela uma nação do norte, que fará da sua terra uma solidão, e não haverá quem nela habite; tanto os homens como os animais fugiram, e se foram. 4Naqueles dias, e naquele tempo, diz o SENHOR, os filhos de Israel virão, eles e os filhos de Judá juntamente; andando e chorando virão, e buscarão ao SENHOR seu Deus. 5Pelo caminho de Sião perguntarão, para ali voltarão os seus rostos, dizendo: Vinde, e unamo-nos ao SENHOR, numa aliança eterna que nunca será esquecida. 6Ovelhas perdidas têm sido o meu povo, os seus pastores as fizeram errar, para os montes as desviaram; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar do seu repouso. 7Todos os que as achavam as devoravam, e os seus adversários diziam: Culpa nenhuma teremos; porque pecaram contra o SENHOR, a morada da justiça, sim, o SENHOR, a esperança de seus pais. 8Fugi do meio de Babilónia, e saí da terra dos caldeus, e sede como os bodes diante do rebanho. 9Porque eis que eu suscitarei e farei subir contra a Babilónia uma congregação de grandes nações da terra do norte, e se prepararão contra ela; dali será tomada; as suas flechas serão como as de valente herói, nenhuma tornará sem efeito. 10A Caldéia servirá de presa; todos os que a saquearam serão fartos, diz o SENHOR. 11Porquanto vos alegrastes, e vos regozijastes, ó saqueadores da minha herança, porquanto vos engordastes como novilha no pasto, e mugistes como touros. 12Será mui confundida vossa mãe, ficará envergonhada a que vos deu à luz; eis que ela será a última das nações, um deserto, uma terra seca e uma solidão. 13Por causa do furor do SENHOR não será habitada, antes se tornará em total assolação; qualquer que passar por Babilónia se espantará, assobiará por todas as suas pragas. 14Ordenai-vos contra Babilónia ao redor, todos os que armais arcos; atirai-lhe, não poupeis as flechas, porque pecou contra o SENHOR. 15Gritai contra ela ao redor, ela já se submeteu; caíram seus fundamentos, estão derrubados os seus muros; porque esta é a vingança do SENHOR; vingai-vos dela; como ela fez, assim lhe fazei. 16Arrancai de Babilónia o que semeia, e o que leva a foice no tempo da sega; por causa da espada aflitiva virar-se-á cada um para o seu povo, e fugirá cada um para a sua terra. 17Cordeiro desgarrado é Israel; os leões o afugentaram; o primeiro a devorá-lo foi o rei da Assíria; e, por último Nabucodonosor, rei de Babilónia, lhe quebrou os ossos. 18Portanto, assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que castigarei o rei de Babilónia, e a sua terra, como castiguei o rei da Assíria. 19E farei tornar Israel para a sua morada, e ele pastará no Carmelo e em Basã; e fartar-se-á a sua alma no monte de Efraim e em Gileade. 20Naqueles dias, e naquele tempo, diz o SENHOR, buscar-se-á a maldade de Israel, e não será achada; e os pecados de Judá, mas não se acharão; porque perdoarei os remanescentes que eu deixar. 21Sobe contra a terra de Merataim, sim, contra ela, e contra os moradores de Pecode; assola e inteiramente destrói tudo após eles, diz o SENHOR, e faze conforme tudo o que te mandei. 22Estrondo de batalha há na terra, e de grande destruição. 23Como foi cortado e quebrado o martelo de toda a terra! Como se tornou Babilónia objeto de espanto entre as nações! 24Laços te armei, e também foste presa, ó Babilónia, e tu não o soubeste; foste achada, e também apanhada; porque contra o SENHOR te entremeteste. 25O SENHOR abriu o seu depósito, e tirou os instrumentos da sua indignação; porque o Senhor DEUS dos Exércitos, tem uma obra a realizar na terra dos caldeus. 26Vinde contra ela dos confins da terra, abri os seus celeiros; fazei dela montões de ruínas, e destruí-a de todo; nada lhe fique de sobra. 27Matai a todos os seus novilhos, desçam a matança. Ai deles, porque veio o seu dia, o tempo do seu castigo! 28Eis a voz dos que fugiram e escaparam da terra de Babilónia, para anunciarem em Sião a vingança do SENHOR nosso Deus, a vingança do seu templo. 29Convocai contra Babilónia os flecheiros, a todos os que armam arcos; acampai-vos contra ela em redor, ninguém escape dela; pagai-lhe conforme a sua obra, conforme tudo o que fez, fazei-lhe; porque se houve arrogantemente contra o SENHOR, contra o Santo de Israel. 30Portanto, cairão os seus jovens nas suas ruas; e todos os seus homens de guerra serão desarraigados naquele dia, diz o SENHOR. 31Eis que eu sou contra ti, ó soberbo, diz o Senhor DEUS dos Exércitos; porque veio o teu dia, o tempo em que te hei de castigar. 32Então tropeçará o soberbo, e cairá, e ninguém haverá que o levante; e porei fogo nas suas cidades, o qual consumirá todos os seus arredores. 33Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Os filhos de Israel e os filhos de Judá foram oprimidos juntamente; e todos os que os levaram cativos os retiveram, não os quiseram soltar. 34Mas o seu Redentor é forte, o SENHOR dos Exércitos é o seu nome; certamente pleiteará a causa deles, para dar descanso à terra, e inquietar os moradores de Babilónia. 35A espada virá sobre os caldeus, diz o SENHOR, e sobre os moradores de Babilónia, e sobre os seus príncipes, e sobre os seus sábios. 36A espada virá sobre os mentirosos, e ficarão insensatos; a espada virá sobre os seus poderosos, e desfalecerão. 37A espada virá sobre os seus cavalos, e sobre os seus carros, e sobre toda a mistura de povos, que está no meio dela; e tornar-se-ão como mulheres; a espada virá sobre os seus tesouros, e serão saqueados. 38Cairá a seca sobre as suas águas, e secarão; porque é uma terra de imagens esculpidas, e pelos seus ídolos andam enfurecidos. 39Por isso habitarão nela as feras do deserto, com os animais selvagens das ilhas; também habitarão nela as avestruzes; e nunca mais será povoada, nem será habitada de geração em geração. 40Como quando Deus subverteu a Sodoma e a Gomorra, e as suas cidades vizinhas, diz o SENHOR, assim ninguém habitará ali, nem morará nela filho de homem. 41Eis que um povo vem do norte; uma grande nação e muitos reis se levantarão dos extremos da terra. 42Armam-se de arco e lança; eles são cruéis, e não têm piedade; a sua voz bramará como o mar, e sobre cavalos cavalgarão, todos postos em ordem como um homem para a batalha, contra ti, ó filha de Babilónia. 43O rei de Babilónia ouviu a sua fama, e desfaleceram as suas mãos; a angústia se apoderou dele, como da que está de parto. 44Eis que ele como leão subirá da enchente do Jordão, contra a morada forte, porque num momento o farei correr dali; e quem é o escolhido que porei sobre ela? porque quem é semelhante a mim, e quem me fixará o tempo? E quem é o pastor que poderá permanecer perante mim? 45Portanto ouvi o conselho do SENHOR, que ele decretou contra Babilónia, e os seus desígnios que intentou contra a terra dos caldeus: certamente os pequenos do rebanho serão arrastados; certamente ele assolará as suas moradas sobre eles. 46Ao estrondo da tomada de Babilónia estremeceu a terra; e o grito se ouviu entre as nações.»


Jer, 50

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

São Mateus

Mateus, 5, 1-15


«1E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; 2E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo: 3Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus; 3Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados; 4Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; 5Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; 6Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; 7Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus; 8Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus; 9Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; 10Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. 11Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. 12Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. 13Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; 14Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. 15Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.»

Mt, 5, 1-15 

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

São Jerónimo

À Fragilidade da Vida Humana

Esse baixel nas praias derrotado
Foi nas ondas Narciso presumido;
Esse farol nos céus escurecido
Foi do monte libré, gala do prado.

Esse nácar em cinzas desatado
Foi vistoso pavão de Abril florido;
Esse estio em vesúvios encendido
Foi Zéfiro suave, em doce agrado.

Se a nau, o sol, a rosa, a primavera
Estrago, eclipse, cinza, ardor cruel
Sentem nos auges de um alento vago,

Olha, cego mortal, e considera
Que és rosa, primavera, sol, baixel,
Para ser cinza, eclipse, incêndio, estrago.

Francisco de Vasconcelos

Íon

Frank Lentricchia

«Behind closed doors, with only undergraduates in attendance, I become something of a rhapsode. As Plato says in Ion, rhapsodes are enthusiasts. We're out of our minds. Like all rhapsodes, I like to recite from the text. I tell my students that in true recitation, we're possessed, we are the medium for the writer's voice. I speak the text as the writer would speak it - this is my radical and unverifiable claim - and the phrases and sentences flow out of me as they flowed from him in the process of creating the text. The writer flows into me and out of me: my mouth his exit into our world.
My listener-students, in the moment of recitation, are infused, taken over by the writer's original voice embodied in me. They too become possessed. Rhapsode and audience assume a single strange consciousness, not their own: "living", not " knowing", the text. We are simply, and collectively, mad.
Because I am an imperfect rhapsode, I bring to my students what I know about literary history, the author's life and times, literary forms, types, and styles: real knowledge, slowly and sometimes painfully gained over a lifetime, which takes me to the brink of the text itself. (...) I share this knowledge with my students, but it doesn't substitute for an honest act of reading.»

Frank Lentricchia, «Last Will and Testament of an ex-Literary Critic». in Lingua Franca, September/October, 1996 

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Norberto Bobbio

Io non sono un uomo di fede, sono un uomo di ragione e diffido di tutte le fedi, però distinguo la religione dalla religiosità. Religiosità significa per me, semplicemente, avere il senso dei propri limiti, sapere che la ragione dell’uomo è un piccolo lumicino, che illumina uno spazio infimo rispetto alla grandiosità, all’immensità dell’universo. L’unica cosa di cui sono sicuro, sempre stando nei limiti della mia ragione – perché non lo ripeterò mai abbastanza: non sono un uomo di fede, avere la fede è qualcosa che appartiene a un mondo che non è il mio – è semmai che io vivo il senso del mistero, che evidentemente è comune tanto all’uomo di ragione che all’uomo di fede.

Norberto Bobbio, “Religione e Religiosità”, in Micromega, n° 2/2000

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Luís de Freitas Branco

O Convertido

(A Gonçalves Crespo)

Entre os filhos dum século maldito
Tomei também lugar na ímpia mesa,
Onde, sob o folgar, geme a tristeza
Duma ânsia impotente do infinito.

Como os outros, cuspi no altar avito
Um rir feito de fel e de impureza...
Mas, um dia, abalou-se-me a firmeza,
Deu-me rebate o coração contrito!

Erma, cheia de tédio e de quebranto,
Rompendo os diques ao represo pranto,
Virou-se para Deus minha alma triste!

Amortalhei na fé o pensamento,
E achei a paz na inércia e esquecimento...
Só me falta saber se Deus existe!

Antero de Quental, Sonetos

H

«Toutes les monstruosités violent les gestes atroces d'Hortence. Sa solitude est la mécanique érotique; sa lassitude, la dynamique amoureuse. Sous la surveillance d'une enfance, elle a été, à des époques nombreuses, l'ardent hygiène des races. Sa porte est ouverte à la misère. Là, la moralité des êtres actuels se décorpore en sa passion ou en son action. - O terrible frisson des amours novices sur le sol sanglant et par l'hydrogène clarteux! trouvez Hortense.»

Jean-Arthur Rimbaud, Illuminations

Lassus

Francesco Petrarca

Voi ch’ascoltate in rime sparse il suono

Voi ch'ascoltate in rime sparse il suono
di quei sospiri ond'io nudriva 'l core
in sul mio primo giovenile errore
quand'era in parte altr'uom da quel ch'i' sono,

del vario stile in ch'io piango e ragiono
fra le vane speranze e 'l van dolore,
ove sia chi per prova intenda amore,
spero trovar pietà, nonché perdono.

Ma ben veggio or sì come al popol tutto
favola fui gran tempo, onde sovente
di me medesmo meco mi vergogno;

e del mio vaneggiar vergogna è 'l frutto,
e 'l pentersi, e 'l conoscer chiaramente
che quanto piace al mondo è breve sogno.
Francesco Petrarca, Rime

sábado, 1 de janeiro de 2011

Professoressa Giulia Lanciani


Às vezes, contagiados pela tonalidade dos tempos, esquecemo-nos daquilo em que somos bons, daquilo em que temos de facto valor. Contudo, quando assistimos ao modo abnegado, dedicado, cheio de afecto como para nós olham, quando nos observam do lado de fora, sentimo-nos reconhecidos. A Professora Lanciani tem dedicado a sua vida à cultura portuguesa e ajudou-me a ter para com o meu país a paciência que se tem para com as coisas e as pessoas que nos são mais chegadas. Bem-haja, Professora!

Concerto de Ano Novo